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Aniventure 2016: nos vemos no Beco dos Artistas!

Parece que a temporada 2016 de eventos está prestes a começar. E, como sempre, ela não começa muito longe de casa. Depois de um aquecimento básico no festival japonês Hana Matsuri aqui na terrinha de Curitiba, nos dias 28 e 29 de maio participaremos do Aniventure – o maior e melhor evento de cultura pop do sul do mundo, na minha opinião.

Em sua décima edição, os organizadores dedicaram um espaço para os artistas independentes, chamado Beco dos Artistas. Nele estarão reunidos 10 mentes criativas, entre ilustradores e roteiristas – e nós marcaremos presença com nossas HQs!

Olhando assim, parece pouco, mas são poucos os eventos que se importam em reservar um espaço para os artistas independentes. A visibilidade proporcionada pelos eventos é essencial para o contato entre autor e leitor – ainda mais em um evento tão duradouro e bem organizado.

Hana Matsuri 2016 - nos vemos lá!

Mas e aí, o que teremos na lujinha?

Ora, achei que você não perguntaria! Além de boa companhia, muitos amigos e conversas, teremos nossas HQs e produtinhos fofos à venda! São elas Last RPG Fantasy, MAKI, PAF PAF, Batsuman, Fliperamas e A Samurai. Aliás, essa lista precisa da sua contribuição para aumentar, hein! Além desses, meu livro de contos A Sala de Banho marcará presença e os demais produtos derivados que invento por aqui – botons, canecas e caderninhos.

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E aí, quem vamos? Espero todos lá nessa edição histórica do Aniventure!

IlustraCÃO #10

A ilustração abaixo faz parte do pacote de recompensas da campanha de financiamento coletivo do livro A Sala de Banho, da Mylle Silva. Apesar de só ter ingressado no mundo das HQs em 2015, a arte da escrita a acompanha desde os oito anos de idade.

Em seu trabalho inaugural, Mylle decidiu encadernar manualmente os exemplares do seu livro de contos. Essa e mais outras 4 ilustrações, todas baseadas em textos do livro, foram transformadas em postais e entregues aos apoiadores.

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Leia o conto Goiabosonho, para todos que sonham com doçura.

Goiabosonho

conto de Mylle Silva
publicado no livro A Sala de Banho

Lina sempre foi translúcida de amor. Enquanto andava na rua, saboreando ser Lina, ouviu seu mote: goiabosonho. Ficava pensando em quem teria dado um nome tão redondo ao sonho de goiaba da freguesia. Perguntava aos amigos se alguém já tinha experimentado o goiabosonho e que gosto tinha. Devia ser diferente dos outros, só podia!

Certa vez, numa manhã amena de primavera, decidiu que iria experimentar o goiabosonho, mas, mesmo tendo esperado o dia inteiro com sua vasilha em mãos, o carro do sonho não passou na sua rua.

Batsuman no Catarse II – A Missão

Você pediu (ou não) e nós atendemos! Vem aí (ou não) o segundo livro do Batsuman!!

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“Batsuman – Crise Nessas Terra Tudo” reunirá tirinhas publicadas originalmente entre 2012 e 2015 e virá, é claro, com material exclusivo! Ele terá o mesmo formato e número de páginas do primeiro volume, o “Batsuman – Ano Um (e dois também)”.

E, como já é tradição, vai rolar um financiamento coletivo. Opa! “Vai” não, JÁ ESTÁ ROLANDO! Se você quiser colaborar com o projeto e garantir um exemplar autografado e um montão de outras recompensas, basta acessar a página da campanha: https://www.catarse.me/pt/batsuman2

E corre lá, porque os primeiros 50 apoiadores garantem um brinde exclusivo!

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A campanha de “Batsuman – Crise Nessas Terra Tudo” vai do dia 09 de Maio até 08 de Julho. Mas não deixe pra depois, heim!

 

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Clica aí pra ver a capa inteira! =D

IlustraCÃO #09

A ilustração abaixo faz parte do pacote de recompensas da campanha de financiamento coletivo do livro A Sala de Banho, da Mylle Silva. Apesar de só ter ingressado no mundo das HQs em 2015, a arte da escrita a acompanha desde os oito anos de idade.

Em seu trabalho inaugural, Mylle decidiu encadernar manualmente os exemplares do seu livro de contos. Essa e mais outras 4 ilustrações, todas baseadas em textos do livro, foram transformadas em postais e entregues aos apoiadores.

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Leia o conto Ele elo Ela, para viver paixonites agudas.

Ele elo Ela

conto de Mylle Silva
publicado no livro A Sala de Banho

Estremeceu de leve no primeiro encontro, enquanto repunha algumas latas de leite em pó na prateleira. Sabia que ela frequentava o mercado, já a havia visto algumas vezes, mas fora apenas de relance. Estranhou então essa nova sensação por tal moça e supôs que teria alguns problemas a partir de então.

Ela carregava uma cesta com poucas coisas: café, pasta de dentes, iogurte, papel higiênico, arroz e mais algumas coisas menores que ele imaginou ser algum doce. Estava sozinha e ouvia música através do fone de ouvido branco colado em suas orelhas.

Andava bastante devagar, talvez procurasse algo. Estava tão distraída que não notara que era observada pelo repositor de mercadorias. Afastou-se dele lentamente e então foi para o outro corredor, conferiu sua cestinha e foi para o caixa.

Ele era estudante de História, mas precisava de um emprego temporário para juntar algum dinheiro. Ficou com a primeira oportunidade que lhe apareceu em um novo mercado da cidade. Estava lá há cinco meses e mal podia acreditar no que lhe havia acontecido: apaixonara-se por uma completa desconhecida. No início até tentou se convencer do contrário, mas cada vez que a via, um sentimento estremecia-lhe o coração, como um amor leve e descompromissado. Chegou à conclusão de que não seria tão simples assim ignorar o que sentia.

Estava no ponto de ônibus observando o nada como quem espera nada acontecer. Sua mente encontrava-se completamente vazia e seu corpo esgotado, tanto que mal cabia na própria existência. Por sorte não era horário de pico, o que o fez acreditar que teria um lugar para se sentar. Foi num susto que sentiu um perfume doce e olhou para o lado. Lá estava ela com cara de tédio a olhar os carros passando.

Pela primeira vez, teve a permissão de sabê-la tão bem. Era um pouco mais baixa do que ele, tinha os cabelos curtos, a pele levemente morena. Era de uma beleza fraca, como quase a se quebrar, coisa que só com muito amor nos é permitido ver. A eterna espera pelo ônibus transformou-se em sublime contemplação. O jovem passou então a buscar a melhor palavra para pronunciar naquele momento. Permaneceu entalada na própria garganta sem conseguir desfazer o nó que aumentava. Estava constrangido não pela presença da moça, mas por sua própria incapacidade de se comunicar.

O que faz uma pessoa com um sentimento único? Longe das imaturidades, dos amores fugazes da adolescência, ele admirava a imagem da moça. Não queria saber nada sobre ela, bastava que conversassem sobre como os preços das mercadorias estavam subindo e tudo ficaria bem – ao menos naquele instante.

Quando os carros pararam de passar e nem mesmo uma mosca zumbia em seus ouvidos, aquelas duas pessoas no ponto de ônibus assumiram efetivamente a presença um do outro. Até então, ele a via como uma assombração intocável, e ela, por sua vez, fingia estar sozinha, como uma boa curitibana deve agir.

– O silêncio me incomoda. Logo hoje que a bateria do meu MP3 player acabou, meu ônibus está demorando mais do que o normal para chegar.

– Não se preocupe, os carros logo voltarão a passar.

– E isso fará com que o ônibus chegue?

– Não, mas trará o barulho de volta.

– Acho que deve ter quebrado.

– O quê? O barulho?

– Não! O ônibus.

– Para mim, ele está dentro do horário.

– Já estou aqui há mais de meia hora, nunca atrasou tanto.

– É, talvez eu esteja aqui há tanto tempo quanto você.

– O pior é que só há um ônibus que vai para onde quero.

– É, aí fica difícil mesmo…

– Para onde você vai? – por mais que tenha evitado, não resistiu em fazer uma pergunta pessoal.

– Pro bairro Uberaba. E você?

– Moro no Rebouças. Se fosse mais perto, poderíamos rachar um táxi.

– É, pois é…

– Chegou o meu ônibus! Tchau. – o rapaz aceitou o sinal do destino e foi embora, mesmo que com certa melancolia por deixá-la ali.

Fez-se então um buraco no ponto de ônibus, como se algum pedaço importante tivesse sido arrancado dali. A moça que se chama Ana pensava, pensava, mas não sabia dizer ao certo o que diabos estava faltando. Sentia apenas uma forte sensação de vazio, o indecifrável vazio.

Ana viu o ônibus se aproximando e acreditou que tudo estava resolvido. Pegou sua sacola retornável e subiu os degraus da condução. Pagou a passagem com o cartão, que já estava úmido em sua mão, e sentou-se. Assistiu à brisa com tranquilidade, protegida pelas janelas. Passou assim alguns momentos de certeza em sua vida: encaminhava-se para algum lugar.

Não estudava, mas queria. Pode-se dizer que tinha 25 anos de idade. Trabalhava como telemarketing até metade da tarde e depois tinha o tempo todo livre para fazer o que bem entendesse. O problema era exatamente esse.

O tempo não era bom com Ana. Ela não se atrasava nunca, muito menos largava o relógio. Era tão dependente dos ponteiros que, quando se via livre, só desejava que as horas se engolissem uma atrás da outra. Tentou várias vezes trabalhar mais tempo, no entanto era ameaçada de perder o emprego caso alguém descobrisse e reclamasse.

Já os estudos eram outro caso sério. Ela tentava todo ano o vestibular para cursos diferentes: matemática, serviço social, veterinária, filosofia… Era como se a cada ano ela fechasse os olhos e apontasse um nome na lista de opções. Nunca passava, mas nunca desistia. A questão era apenas fazer, não importava o que.

Morava sozinha e, ao chegar em casa, seguia rigorosamente seu cronograma. Apesar de não sentir a mesma satisfação de quando cumpria os horários no trabalho, ela não conseguia se livrar desse planejamento prévio. Isso não queria dizer que Ana conseguisse manter seu pequeno apartamento em ordem. Seu espaço era naturalmente desorganizado.

Em seu cronograma havia o horário exato de molhar as plantas, cozinhar e comer – mesmo sem fome – ler dez páginas de um livro, recolher o lixo, alimentar o peixe, ver novela e outras atividades milimetricamente cronometradas. Certa vez, tentara programar os horários de suas idas ao banheiro, mas não conseguira resultados satisfatórios. Se conformaria então, depois de algum tempo, a deixar um espaço em seu cronograma para o que passaria a chamar, depois de certa relutância, de imprevisto.

O problema estava mesmo na hora de dormir. Deitar-se e esperar a chegada do sono se tornava cada vez um martírio maior, já que não era tão simples assim dormir. Já adiantara e atrasara seu cronograma diário, mas o momento de esvaziar a cabeça e descansar a perturbava.

Ana terminou o cronograma do dia seguinte, apagou a luz e foi se deitar. Como de costume, o cansaço brigava com a liberdade de pensamento, passeando assim pelas entranhas do seu dia. As palavras ditas começavam a ecoar em seus ouvidos e, ordenadamente, ela revivia alguns fatos recentes. A moça não sentia o menor prazer nesse tipo de reflexão, mas não conseguia evitá-lo: fazia-se necessário, afinal, que se deixasse levar por pensamentos de vez em quando. Foi então que aconteceu.

Ocorreu-lhe um brutal silêncio dentro e fora da cabeça. Sem mais nem menos, ela esqueceu completamente como foi o seu dia e se deparou com o vazio. Sentia uma falta imensa de algo, de um detalhe que apagara brutalmente da memória. E pior: a partir desse ponto não conseguia nem voltar ou muito menos seguir adiante em suas lembranças.

Tentou pensar em algo, qualquer coisa. Pensou em uma maçã, uma linda maçã vermelha. A fruta na árvore – mesmo sem nunca ter visto tal fruta na árvore – e depois a assistiu cair delicadamente no chão após rodopiar algumas vezes no ar. Foi assim que se acalmou e tentou voltar à sua retrospectiva particular, mas não obteve sucesso. O vazio estava todo ali, vinha e mordia a maçã, acabava com a cena. Nessas horas ela já quase dormia, quase dormia…

Mesmo entorpecida pelo sono, chegou à conclusão de que sentia falta de algo. Perdera uma parte importante como quem perde um dente e só lhe resta um espaço vazio na boca, o qual, ao sabor da língua, parece maior do que realmente é. E nesse estado de pensamento sem pensamento, Ana dormiu um dos melhores sonos das últimas semanas.

Acordou concluindo que sonhara, com aquela incrível impressão de que estivera com alguém importante em algum lugar bem longe daquele quarto. A sensação não se livrava dela a ponto de fazê-la tentar dormir para recuperar o sonho. Não, ele nunca voltaria, por maior que fosse seu esforço, por mais que se concentrasse. Conformou-se em definitivamente abrir os olhos para encarar as paredes de sua vida real. Percebeu, então, que estava muito atrasada.

A sensação mágica do sonho abandonou-a imediatamente. Agora congelada, viu-se em um estar sem saída jamais antes experimentado. O que faria ela agora da vida? Sentia-se como se tivesse perdido o pequeno espaço que lhe fora reservado no mundo. Uma quebra tão grande do cronograma era sinônimo de fracasso.

Levantou-se e decidiu que era o dia de fazer nada. Logo resolveu que sairia para caminhar o mais longe possível. Sem uma rota definida, ela se deixaria perseguir pelos próprios passos, como quem busca algo importante e desconhecido.

Seus passos eram passos, nada mais que isso. Andava tranquila e, ao contrário do que imaginara, ficava cada vez mais cheia de si. Logo notou que caminhar de tal maneira era uma delicada forma de se amar. O vento brincava de leve com seus cabelos e por vezes arrepiava-lhe os pensamentos.

Cansou-se e sentiu sede, então descobriu que chegava o momento de parar um pouco. A moça estava feliz, tinha toda ela dentro do corpo, mas havia um problema: faltava algo. No início acreditou ser um algo banal, no entanto a falta cresceu de tal maneira que era impossível ignorá-la. Sentada na grama, chegou à conclusão de que perdera um elo, um instante qualquer e sem importância.

Ao ter consciência de que estava perdida alguma parte, sabia que o melhor a fazer seria voltar para casa. Mas havia o problema de estar longe e ou de simplesmente achar que ainda não era o momento de voltar. Pegou, enfim, o primeiro ônibus que encontrou no caminho.

Não demorou muito para notar que pegara o mesmo ônibus com o qual ia trabalhar. Talvez por instinto sua caminhada tenha seguido o mesmo percurso da condução. Ana achou graça de si, a graça mais gostosa de sentir: a de reconhecer-se bobo.

Passou pelo mercado e decidiu descer. Sentia fome e sabia que ali serviam um ótimo almoço, o qual nunca tivera a chance de experimentar. Desceu logo que conseguiu e foi direto para os fundos do mercado. Estava divertida com seus próprios impulsos, pelo simples fato de fazer algo diferente.

O rapaz, cujo nome era Francisco, viu a moça e se assustou. Ela, que passara como um vento por ele, não costumava ir ao mercado naquele horário. Tamanha foi sua curiosidade que decidiu segui-la sem pensar em mais nada.

Ela parou na fila à espera de sua marmita e, sem mais nem menos, virou-se, flagrando o rapaz a observá-la. Fez-se então o silêncio.

O silêncio é a grande arma dos homens. Sem uma palavra sequer, revelamos todas as cartas da mesa, soltamos os segredos de nossas mentes. O silêncio é o momento dos grandes, a mácula imaculada dos amantes. Ainda o silêncio que atinge a alma e cala os pensamentos.

Ana entendeu muito bem: estava viva mesmo sem poder ouvir nada. Logo ela que precisava tanto de barulhos para preencher-se, logo ela! Desde quando, perguntava-se, desde quando percebera naquele rapaz um pedaço de si? Mas o silêncio não dava respostas e ela pouco se importava.

Francisco, por sua vez, foi notado como quem realmente era. Percebeu que a máscara de simples repositor de mercadorias havia caído. Não existiria mentira mais para consigo mesmo. Em uma fração de segundo, o rapaz foi descoberto.

Silêncio. No silêncio, ela saiu da fila da marmita e se aproximou dele. Em silêncio continuou a flagrá-lo dos pés à cabeça. Sem perceber, eles criaram as próprias regras, então não havia necessidade de se justificar.

A primeira palavra que trocaram então ninguém nunca ouviu. Malmente sabe-se quem foi o primeiro a falar. Os que estavam presentes apenas contam que Ana e Francisco saíram do mercado e caminharam despreocupadamente até o fim do dia.

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A ilustração abaixo faz parte do pacote de recompensas da campanha de financiamento coletivo do livro A Sala de Banho, da Mylle Silva. Apesar de só ter ingressado no mundo das HQs em 2015, a arte da escrita a acompanha desde os oito anos de idade.

Em seu trabalho inaugural, Mylle decidiu encadernar manualmente os exemplares do seu livro de contos. Essa e mais outras 4 ilustrações, todas baseadas em textos do livro, foram transformadas em postais e entregues aos apoiadores.

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Leia o conto Devaneios de Amor e um Vintém para viver um amor de vitrine.

Devaneios de Amor e um Vintém

conto de Mylle Silva
publicado no livro A Sala de Banho

Ao vê-lo sair do mesmo restaurante em que estava, teve um choque momentâneo: ele com sorvete na mão, cara de criança feliz conversando com alguém que certamente era a sua namorada. O rapaz estava indo para o mesmo lado onde havia aquele carro tão conhecido, que só de olhá-lo, pensou: “Deve ser o carro dele”.

Uma sensação de amor puro invadiu-a de imediato e pensou em levantar-se para pegar o caderno que havia esquecido no carro e que continha algumas anotações importantes para a reunião. Todos estavam esperando, olhando para ela com dúvida: “Será que não vai buscar o caderno?”, pensavam em silêncio enquanto conversavam sobre qualquer coisa, mas ela estava observando-o pelo vidro, como se fosse um artigo de vitrine olhando os passantes.

Conheceu-o num susto e nesse mesmo susto ele foi embora. Mais de um ano sem vê-lo e já estava certa de que o amor havia se dissipado. “Coisa passageira”, pensou. Mentiras, quantas mentiras contamos nós mesmos. Naquele instante terrível em que nos vemos sozinhos, sabemos bem quem somos – e aí mora o perigo. O amor que sentia por ele era uma admiração demasiada, um querer largar para o mundo e só conversar de vez em quando, mas em algum momento ele escorreu das suas mãos. Quando foi mesmo? Já não sabia, esses detalhes o amor nunca percebe.

O rapaz, que já estava longe dali, continuava caminhando lentamente em sua mente, retrocedendo como em um vídeo com defeito. Ele ia e voltava para ir mais uma vez, e ela concluiu que o amaria assim pelo resto da vida, não havia muito que fazer. Amores assim refletem em tudo, na vida inteira, não há saída exata, apenas existem, respiram com o ser. Amar – e sem achar maneiras de amar, tipos de amor, intensidades – amar como o sentimento que é e reconhecê-lo simples já é o suficiente.

As pessoas da mesa continuavam pensando se ela ia mesmo pegar o caderno, já era passada meia hora e nada de ela levantar. “Será que está passando mal de novo?”, pensou uma amiga de longe, mas a mulher não se movia. Fingia conversar, sorrir, se divertir, planejar com todos, mas lá no fundo estava longe, aquelas imagens indo e voltando, ele feliz andando com um sorvete de creme, conversando com a namorada de sempre e ela dentro da vitrine, assistindo à cena longe de ser o objeto de desejo.

Antes de entrar no restaurante, ao ver aquele carro verde com uns riscos na lateral, já sabia que era ele, mas acreditou que estava vendo coisas, “imagine que absurdo ele aqui depois de tanto tempo”. A verdade é que não foi fruto de sua imaginação, mas sim de algo maior, chamado destino. Ao levantar-se para ir pegar o caderno, concluiu que o amor era um desses devaneios esquisitos que nos acometem e logo vão embora. O carro não estava mais lá, naturalmente ele já tinha ido embora, talvez para deixar a namorada em casa ou para passar mais tempo com ela, quem sabe.

Por mais que não esperasse, sabia que deveria esperar um e-mail dele no dia seguinte, ou ainda uma ligação – que raro! – e ouvir sua voz dizendo que ele a viu no dia anterior mas não teve tempo de dizer oi, quanto tempo, como você está e tudo mais. Já na hora de ir embora, olhou mais uma vez o espaço no qual o carro verde estava e se perguntou se ele viu o seu carro branco, que deveria ser conhecido dele assim como o carro verde para ela. Dirigiu, voltou para casa, deitou e dormiu. O dia seguinte seria um dia seguinte normal, sem atropelos.

Manjerindica #1: projetos para apoiar e acompanhar!

O financiamento coletivo passou de novidade para um dos pilares do mercado atual de quadrinhos. Segundo o blog do Catarse, de janeiro de 2011 até outubro de 2015, foram financiados 141 projetos através da plataforma – perdendo apenas para música, cinema e teatro. Há ainda o Kikante, uma outra opção para quem quer ingressar no mundo do crowndfunding.

Em 2014 eu costumava postar mensalmente, em outro site, indicações de projetos para apoiar. Decidi retomar o trabalho aqui no Manjericcão por um motivo simples: é preciso encher o mundo de bons trabalhos, ainda mais quando os ânimos andam tão exaltados como no atual momento político. Por isso, enquanto eu puder fazer algo para ajudar os projetos nos quais acredito, eu farei.

Mas bem, vamos ao que interessa!

Tinta Fresca – por Digo Freitas e Vinícius Gressana

Tinta Fresca - por Digo Freitas e Vinícius Gressana

Meta: R$6379,00
Prazo para financiamento: 11/06/2016

O que dizer sobre esse projeto que mesmo antes de eu conhecer já considerava pacas? Essa é uma HQ que nasceu da mente do Digo Freitas (uma das únicas pessoas que conheço que já apoiou mais de 50 projetos!) e será produzida em parceria com o Vinícius Gressana – ambos participantes da coletânea Fliperamas! A prerrogativa é, basicamente, o que você faria se tivesse o poder de dar vida aos seus desenhos? 

Sinopse: Ícaro é um adolescente revoltado que têm problemas de relacionamento com a mãe. Após ser pego pela polícia várias vezes ao praticar grafitti em locais proibidos, Arthur, seu professor de desenho, lhe mostra outras maneiras de extravasar suas angustias – mas, por acidente, Ícaro recebe o poder de dar vida aos seus desenhos – e, com grandes poderes, sempre vêm grandes responsabilidades.

Projeto: A HQ terá o tamanho 17cm X 25cm, com 104 páginas coloridas em papel Offset 75g, capa em Cartão Triplex 300g e lombada quadrada. Dessas páginas, 90 serão só de história!

Baleia #3 – por Rebeca Prado

Baleia #3 - por Rebeca Prado

Meta: R$18000,00
Prazo para financiamento: 12/06/2016

Rebeca pertence àquele grupo de artistas que conseguem transmitir, de forma sucinta, os sentimentos bobos que normalmente guardamos para nós – em outras palavras, ela é é muito boa fazendo tirinhas! O projeto, publicado desde 2014 em sua fanpage, já foi publicado em 2 zines e agora quer vir ao mundo mais gordo e completo.

A nova proposta é fazer do Baleia #3 uma coletânea de tiras experimentais (pra quem não conhece, tá AQUI ) de caráter cotidiano. Muito, muito, muito cotidiano. Porque né, as tiras são autobiográficas, mas poderiam acontecer com qualquer um, afinal, a vida não está fácil pra ninguém.

Projeto: Baleia #3 será um livro garboso, com 200 páginas, no tamanho 15,5x 21,5, com pelo menos 40 tiras inéditas, uma galeria de convidados bem diferente do normal e uma pequena explicação sobre o processo de produção do livro e das tiras.

Os Poucos & Amaldiçoados – Parte 2 de 6 – por Felipe Cagno

Os Poucos & Amaldiçoados - Parte 2 de 6 - por Felipe Cagno

Meta: R$12000,00
Prazo para financiamento: 07/05/2016

O Cagno é um cara admirável, na minha opinião. Afinal, enfrentar tantas campanhas de financiamento coletivo seguidas não é pra qualquer coração. Porque né, só quem já colocou uma campanha no ar sabe que segurar a ansiedade é um dos maiores desafios que existe – muito maior do que executar o projeto em si.

“Os Poucos & Amaldiçoados” é uma série em quadrinhos em SEIS edições estrelando a misteriosa personagem conhecida apenas como Ruiva. Esta aqui é a campanha para financiar coletivamente a SEGUNDA EDIÇÃO.

Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico onde 90% da água do mundo simplesmente desapareceu da noite para o dia, a humanidade teve que aprender a sobreviver às piores condições possíveis. 70 anos já se passaram e os poucos que chegaram até aqui mal se lembram do que é ter água em abundância.

Projeto: 26cm x 17cm (tamanho padrão americano), 26 Páginas (todas coloridas em couchê fosco 90g), capa Regular por WILL CONRAD & MARCELO MAIOLO, capas Variantes por FÁBIO VALLE e VITOR CAFAGGI, todos os exemplares autografados pelos Autores.

CD B. Corpo – por Miniconto

Meta: R$6000,00
Prazo para financiamento: 22/05/2016

Não é só de HQs que vive o Manjericcão! O duo Karla Díbia e Daniel Amaral dão vida ao projeto Miniconto, cuja proposta é realizar um diálogo entre música, literatura e artes visuais através de suas composições. A ideia nasceu em 2012 e já rendeu 4 EPs e 1 CD – todos disponíveis para download no site Miniconto.  O duo está prestes a gravar o seu segundo CD, que também será disponibilizado gratuitamente para download e precisa da sua ajuda para custear uma produção caprichada das músicas.

Hana Matsuri 2016 – nos vemos lá!

Finalmente chegamos ao mês de abril, quando já deu tempo de descansar, esperar o carnaval passar, movimentar a mente com muito trabalho e… participar de eventos! E, para começar pequeno, sem fazer muito barulho, o nosso primeiro evento do ano será o Hana Matsuri, o festival japonês que comemora o nascimento de Buda.

A festividade acontecerá aqui em Curitiba, a terrinha do Manjericcão, nos dias 09 e 10 de abril, das 11h às 19h no Parque de São José dos Pinhais. Saiba mais sobre o evento no blog Tadaima Curitiba (também mantido por mim, por um acaso do destino…)

Hana Matsuri 2016 - nos vemos lá!

Procure por esse banner e nos encontrará no evento

Hana Matsuri 2016

O Manjericcão terá um espaço durante o Hana Matsuri, chamado Matsuri no Honya (livraria do festival, literalmente). Lá nós comercializaremos nossas HQs queridas (Last RPG Fantasy, MAKI, PAF PAF, Batsuman, Fliperamas e A Samurai) e também publicações de outros autores, tais como A Sala de Banho, de Mylle Silva (eu mesma, tsc), Pétalas, do Gustavo Borges e Pedreiro, do Digo Freitas.

Teremos ainda um convidado especial em nosso espaço: o mais novo quadrinista a se esconder na capital ecológica do sul do mundo, Vinícius Gressana! Por isso, se você curte as HQs do Café do Feliz, apareça para trocar uma ideia conosco!

E se você quiser exercitar suas habilidades artísticas, participe da oficina de encadernação japonesa que ministrarei durante todo o sábado – basta aparecer no espaço, sentar e aprender!

Além de muitos livros e quadrinhos, também teremos botons, cadernos e canecas com desenhos do Yoshi Itice para venda! Espero você lá, hein!

Hana Matsuri 2016 - nos vemos lá!

A Samurai pela primeira vez à venda em Curitiba após o lançamento 😀

IlustraCÃO #07

A IlustraCÃO de hoje veio de mais um collab! O tema da vez foi Smash Bros. – o jogo de lutinha da Nintendo que reúne seus maiores ícones. Dentre todos os personagens eu tive que escolher o Ike. Não só por ser todo estiloso com sua capa e espada, mas por ser um dos protagonistas mais carismáticos de uma franquia que eu amo demais: Fire Emblem! =D

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esboço, traço e cores

esboço, traço e cores

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