A Samurai – conheça os personagens

Estamos em um momento muito especial da produção da HQ A Samurai: É hora de decidir os detalhes para que a história não perca sua verossimilhança – ou, em outras palavras, para que você, leitor, não se perca na passagem de um capítulo a outro. Para que isso seja possível, eu e o Yoshi (mais ele do que eu, afinal não sei desenhar nem homem palitinho) fizemos uma lista com as aparições dos personagens em cada um dos capítulos – e eu gostaria de dividi-la hoje com você. Na tabela também damos a dica da cor com a qual cada artista trabalhará em seu capítulo.

A Samurai - conheça os personagens

Seguem abaixo os primeiros estudos de personagem feitos pelo Yoshi ainda durante a campanha no Catarse. E, para deixar todos ainda mais curiosos, deixo um breve resumo sobre cada um deles. Espero que gostem e continuem acompanhando nossa produção!

A Samurai Michiko Midori

Michiko foi vendida ainda muito pequena para o okiya (a casa das gueixas) e foi treinada para se tornar uma delas. No período Edo (de 1603 a1868) era comum vender as meninas para esses locais. Elas não podiam sair de lá e eram treinadas para serem mulheres refinadas e habilidosas artistas que sabiam muito bem conduzir uma conversa sobre qualquer assunto. Mas Michiko tem um sonho: conhecer a própria família. Guiada por ele, ela quebra todos os paradigmas e decide se tornar uma guerreira, mesmo que para isso ela tenha que largar a vida de luxos que possui. Uma samurai que não deixa que a vida faça escolhas por ela, uma mulher que é dona do próprio destino.

A Samurai Yamada

Yamada é o serviçal de confiança de Michiko e, assim como ela, foi criado desde pequeno no okiya. A fim de protegê-la, segue na “carreira” de samurai. É bastante fiel, determinado e companheiro.

A Samurai Monge

O Monge é um homem pequeno, quase imóvel que gosta de ver as coisas acontecendo sem, aparentemente, ser capaz de controlar nada. Pouco se sabe dele, mas sempre que aparece é uma figura onipresente que apenas assiste aos fatos como se não tivesse nada a ver com eles.

A Samurai Okasan

Okassan é a dona do okiya, a casa das gueixas. É ela que direciona, cuida e administra a vida de todas as gueixas e, por isso, é chamada de “mãe”. Apesar de ter um laço afetivo muito grande com Michiko, seu verdadeiro amor é o dinheiro.

A Samurai Mestre Seto

Mestre Seto é o treinador de Michiko e Yamada. É um senhor com cerca de 60 anos que teve que deixar a vida de samurai para trás após ser ferido e cegado em batalha, defendendo a vida do daimyou Toyotomi. Esse personagem é inspirado no saudoso quadrinista Claudio Seto (1944 – 2008). Se você quiser saber a história sobre como conheci o Seto “original”, basta clicar aqui.

A Samurai Nobuhiro

Nobuhiro é um daimyou (senhor feudal). Ele é um homem baixinho, gordinho e muito bem educado, mas que não deixa de ser trapaceiro e ambicioso. Ele é também o danna de Michiko, ou seja, o amante rico que a sustenta em troca de sua fidelidade.

A Samurai Chefe da Guarda

O samurai chefe da guarda de Toyotomi – senhor feudal que Midori e Yamada servem. É extremamente leal ao seu senhor.

A Samurai Tanizaki

Tanizaki é um homem arrogante e inescrupuloso que, em algum momento, já teve um coração. Mas não se engane, isso faz parte do seu passado misterioso.

E que venha A Samurai!

E que venha A Samurai!

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Há pouco mais de duas semanas passei por uma das experiências mais loucas da minha vida – e digo louca em sentido literal mesmo, afinal eu quase enlouqueci no processo. Foram 60 dias de pura emoção, muitas alegrias, tristezas, pensamentos e descontroles, tudo ao mesmo tempo. Eu sei, você deve me achar uma exagerada – e sou mesmo, assumidamente exagerada. Não sei viver sem envolver muita emoção em meus projetos, entrar de cabeça, entregar o coração, essas coisas todas bregas que eu adoro.

Mas hoje não escrevo para falar de emoções passadas, quero mesmo é falar sobre o futuro! E o futuro, meu amigo, será brilhante, lindo e maravilhoso, tenho certeza! A produção da HQ A Samurai já está dando seus primeiros passos e eu faço questão de manter todos muito bem informados. Portanto, para começar, quero falar sobre os frutos que colhemos ainda na campanha.

Atingimos incríveis R$28695,23, raspando na segunda meta estendida, que era viabilizar um segundo projeto do qual eu faço parte: a coletânea Fliperamas! Trata-se de uma HQ com histórias curtas escritas apenas por artistas de webcomics. A ideia surgiu no final do ano passado entre alguns artistas e eu decidi levar junto com o Webcomics Brasil. Pois bem, chegamos tão perto dos R$29mil que chega a ser um desperdício não financiar mais um quadrinho e envia-lo a todos os apoiadores que contribuíram com, pelo menos, R$50,00 né?

Em outras palavras, a campanha no Catarse renderá duas publicações e muitos leitores felizes, não é lindo? E não é só isso!

Concurso Fliperamas!

Na medida do possível, quero realizar um sonho: o de reunir o maior número possível de artistas nos projetos dos quais faço parte. E, como dentro desse sonho está o fato de eu acreditar nos artistas nacionais, nada mais coerente do que investir nisso. Sendo assim, decidi abrir um concurso que selecionará o oitavo participante da HQ Fliperamas! Atualmente os artistas participantes são:

Leonardo Maciel
Digo Freitas
Yoshi Itice
Rohit (Rodrigo Sakai e Samantha Hit)
Wes Samp
Rafael Marçal
Vinícius Gressana

Semana que vem postarei no Webcomics Brasil um regulamento bem bonito, mas por enquanto, deixo os pontos principais do concurso:

– Apenas artistas com webcomics ativas poderão participar;
– Será preciso enviar uma HQ de 6 páginas em PB com o tema “Games”;
– Todas as histórias serão publicadas em uma revista online, mas apenas uma será selecionada para a versão impressa.

E aí, ficou com vontade de participar? Então vai pensando na sua ideia, porque o concurso será relâmpago e com prazo super apertado.

Calendário de Eventos!

Foi mal, galera! Eu sei que andei meio ausente nessas últimas semanas, mas foi por bons motivos. Um deles, é claro, foi o fechamento da nossa campanha no Catarse: A SAMURAI! Tudo ocorreu maravilhosamente bem e semestre que vem teremos não só este fantástico quadrinho, mas também o FLIPERAMAS – uma antologia com artistas de webcomics com temática gamística!

Falando em segundo semestre, ele será repleto de eventos fantásticos por esse Brasilzão afora! Começando já nesta semana aqui em Curitiba com o Imin Matsuri 2015! Então fique de olho nas datas e venha nos visitar ;D

Imin Matsuri – Curitiba/PR – 20 e 21 de Junho
Pavilhão de Exposições do Parque Barigui

21º Fest Comix – São Paulo/SP – 17 a 19 de Julho
Pavilhão de Exposições do Parque Barigui
[Manjericcão ainda não confirmado]

Comic Con RS – Canoas/RS – 22 e 23 de Agosto
Ulbra Canoas

Haru Matsuri – Curitiba/PR – [sem data definida]
[sem local definido]

FIQ – Belo Horizonte/MG – 11 a 15 de Novembro
Serraria Souza Pinto

Comic Con Experience – São Paulo/SP – 03 a 06 de Dezembro
São Paulo Expo

Se você tiver alguma indicação de evento bacana em sua cidade, fale pra gente! Mande a sugestão para info@manjericcao.com.br

Afinal, o financiamento coletivo vale o esforço?

Reflexões, aprendizados, trabalho duro, retorno financeiro, escolhas e necessidades. Afinal, o financiamento coletivo vale a pena? A campanha para financiar o quadrinho “A Samurai” terminou de maneira esplendorosa, mas não sem antes derramar sangue, suor e lágrimas (nem todas literais). E justamente por essa nova onda de emoções decidi refazer este último texto dessa série (e é também por isso que ele atrasou tanto pra sair).

Reflexões e Aprendizados

Sabe esses reality shows de profissão tipo “O Aprendiz” ou “Master Chef”, onde os participantes lidam com situações extremas, em condições extremas em prazos extremamente curtos numa onda de stress e emoções variadas? É como se fosse um baita intensivão agressivo de teoria e prática de uma profissão. Pois então… isso é o financiamento coletivo. Pelo menos todos os que eu vivi foram assim: grandes cursos intensivos de como publicar um quadrinho.

justus

Você planeja, escreve, desenha, edita, revisa, diagrama, monta, imprime, divulga, vende, embala e distribui num período curtíssimo de tempo e sob a pressão dos olhares de centenas de pessoas. Há três anos eu frequento eventos para vender meus quadrinhos e toda vez que encontro outros artistas nós conversamos sobre tipos de publicações, formatos, tiragens, abordagens, promoções… Estamos constantemente nos perguntando o que funciona ou não funciona no mercado ou como alavancar as vendas de algum quadrinho. São reflexões que duram longos meses ou anos até que a tiragem se esgote (ou não). Numa campanha de financiamento coletivo você não tem longos meses ou anos. Você tem dias. 60, 50, 40, 30 dias para identificar um problema, achar uma solução, executar, avaliar sua resposta, desenvolver uma alternativa, executar novamente e assim por diante. E a cada dia que a arrecadação passa longe do 100% é menor a sua chance de chegar até lá.

A maioria das campanhas possui um período lá na metade em que a coisa toda para. E é NESSE MOMENTO que os maiores aprendizados ocorrem. É quando você deixa de pensar apenas na sua campanha e passa a pensar em toda a sua trajetória profissional. Afinal, o que você está escrevendo? O que está produzindo? Pra quem e pra que você está fazendo isso tudo? Qual a sua identidade? Quem é o seu público? Será que seu trabalho ainda não está maduro? Será que você não está sabendo se comunicar? Será que seu trabalho não tem relevância?

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Uma vez eu li que um bom chefe é aquele que conhece os processos de todas as tarefas da empresa, pois assim ele saberia valorizar e administrar cada uma delas. Um artista é o chefe de si mesmo (pelo menos eu vejo assim) e por isso acho importante ter a experiência de executar um quadrinho do começo ao fim: da elaboração da ideia até a distribuição e venda. Mas essa é a minha opinião.

Como você valoriza o seu trabalho?

Já ouvi algumas pessoas falarem que o financiamento coletivo ou a publicação independente não vale o (baixo) retorno financeiro e que, ao invés de se dedicar na divulgação, embalagem, envio e administração da coisa toda valia mais a pena trabalhar com outras coisas. Que vale mais a pena trabalhar como garçom em meio período do que fazer esse trabalho todo.

Eu tenho uma opinião muito rígida a respeito disso: faz quem quer. Também vale mais a pena estudar medicina do que design? Também vale mais a pena trabalhar com engenharia do que com artes?

Pra mim vale mais a pena trabalhar com aquilo que me dá prazer. Pra quem não sente prazer na realização do trabalho e sim no retorno financeiro (o que não é nem um pouco condenável), talvez o financiamento coletivo não seja uma boa opção.

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Financiamento Coletivo ou Editora?

A primeira vez que escrevi esse texto o foco era esse: dinheiro. Isso porque é no que todo mundo se baseia e busca respostas. Pra maioria das pessoas o “Vale a pena?” significa “Dá dinheiro?” e eu vou ser direto com vocês… geralmente e relativamente publicar de maneira independente dá mais dinheiro que publicar por editora. Mas dá muito mais trabalho, muito menos prestígio e atinge um público muito menor.

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Vou dar um exemplo rápido e superficial. Vamos supor que, de maneira independente, um artista faça uma tiragem de 1.000 exemplares de sua obra e que ele leve dois anos para vender tudo. Vamos chutar que o custo da impressão ficou por volta de 10 reais para cada unidade e que o quadrinho será vendido a preço de capa de 35 reais (72% de lucro). O pior cenário de venda desses exemplares é uma taxa de consignação de 40% ou 50% (ignorando algum evento que ele possa ter gastado uma nota pra participar sem vender nenhum produto), ou seja, ele sempre vai ter um lucro entre 22% e 72% do preço de capa. Levando em consideração que as vendas em livrarias são tão baixas que deixam de ser relevantes, a média fica em torno de 50% (com os 13% do Catarse, por exemplo, mais um frete no valor de 5 reais, você ainda tem um lucro líquido de 45%). Resumindo, após vender os 1.000 exemplares ao longo de dois anos, com uma média de lucro de 50% , ele teria juntado 17.500 reais.

Publicando com uma editora o autor tem direito a 10% do preço de capa, no exemplo anterior isso daria 3,50 reais por livro vendido. Para chegar no mesmo lucro que a publicação independente a editora teria que vender 5.000 exemplares em dois anos. Vende? Algumas obras sim. Outras não. Mas também tem muito autor independente que não vende 1.000 exemplares em dois anos.

Mas não pensem vocês que estou pregando um discurso contra a publicação por editoras. Estou apresentando números de autores pequenos e editoras pequenas – que é a realidade da maior parte do mercado de quadrinhos no Brasil hoje. Nem todo mundo é um Mauricio de Sousa, nem todo mundo publica um Graphic MSP. E eu estou falando de números. Querem números? Esses são os números. Mas existem outros fatores muito mais difíceis de se colocar nessa equação.

caminhos

Publicando por uma editora você tem mais chance de fazer uma tiragem maior, atingir mais pessoas, aumentar seu público, ganha notoriedade e prestígio social, ganha novas oportunidades e trabalha com uma equipe com experiência em revisão, impressão, distribuição, divulgação e vendas. E você não precisa suar e esquentar a cabeça com absolutamente NADA do processo de pós-produção. Você se preocupa com a sua obra e os caras fazem o resto por você. Essas facilidades não se traduzem em números.

Escolhas e Necessidades

Sempre gostei de acompanhar a história da indústria dos vídeo games. É interessante pensar que um produto que já foi considerado “coisa de criança”, “supérfluo” e “coisa do capeta” hoje move milhões, é mais lucrativa que o cinema e conta com uma produção independente extremamente rica, complexa e poderosa. Tudo isso em mais ou menos 40 anos de existência.

Na indústria dos games ser independente não é exatamente uma necessidade, é uma escolha. Pra quem não está familiarizado, existem jogos produzidos e publicados que movem milhões de dólares – são os chamados “triple A” (AAA). Com orçamentos milionários é difícil imaginar que as empresas invistam em ideias arriscadas. É aí que entram os jogos indies. Novas maneiras de se jogar, de trabalhar a narrativa, a jogabilidade e todos os outros recursos que a mídia oferece. É isso que é o game indie hoje em dia: aquilo que um triple A jamais seria. E é aí que o financiamento coletivo ganha um papel especial. As pessoas querem experimentar e querem financiar essas novas experiências.

games

Eu não sei se algum dia o mercado independente de quadrinhos no Brasil vai chegar nesse ponto. Mas eu adoraria que chegasse. Pra isso o mercado formal precisa estar muito mais forte e estabelecido. Só assim pro financiamento coletivo aqui também ser uma escolha e não uma necessidade.

Seguem alguns sites de financiamento coletivo no Brasil:

https://www.catarse.me/
http://www.kickante.com.br/
https://www.startando.com.br/
e outros: http://mapadocrowdfunding.tumblr.com/