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Afinal, o financiamento coletivo vale o esforço?

Reflexões, aprendizados, trabalho duro, retorno financeiro, escolhas e necessidades. Afinal, o financiamento coletivo vale a pena? A campanha para financiar o quadrinho “A Samurai” terminou de maneira esplendorosa, mas não sem antes derramar sangue, suor e lágrimas (nem todas literais). E justamente por essa nova onda de emoções decidi refazer este último texto dessa série (e é também por isso que ele atrasou tanto pra sair).

Reflexões e Aprendizados

Sabe esses reality shows de profissão tipo “O Aprendiz” ou “Master Chef”, onde os participantes lidam com situações extremas, em condições extremas em prazos extremamente curtos numa onda de stress e emoções variadas? É como se fosse um baita intensivão agressivo de teoria e prática de uma profissão. Pois então… isso é o financiamento coletivo. Pelo menos todos os que eu vivi foram assim: grandes cursos intensivos de como publicar um quadrinho.

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Você planeja, escreve, desenha, edita, revisa, diagrama, monta, imprime, divulga, vende, embala e distribui num período curtíssimo de tempo e sob a pressão dos olhares de centenas de pessoas. Há três anos eu frequento eventos para vender meus quadrinhos e toda vez que encontro outros artistas nós conversamos sobre tipos de publicações, formatos, tiragens, abordagens, promoções… Estamos constantemente nos perguntando o que funciona ou não funciona no mercado ou como alavancar as vendas de algum quadrinho. São reflexões que duram longos meses ou anos até que a tiragem se esgote (ou não). Numa campanha de financiamento coletivo você não tem longos meses ou anos. Você tem dias. 60, 50, 40, 30 dias para identificar um problema, achar uma solução, executar, avaliar sua resposta, desenvolver uma alternativa, executar novamente e assim por diante. E a cada dia que a arrecadação passa longe do 100% é menor a sua chance de chegar até lá.

A maioria das campanhas possui um período lá na metade em que a coisa toda para. E é NESSE MOMENTO que os maiores aprendizados ocorrem. É quando você deixa de pensar apenas na sua campanha e passa a pensar em toda a sua trajetória profissional. Afinal, o que você está escrevendo? O que está produzindo? Pra quem e pra que você está fazendo isso tudo? Qual a sua identidade? Quem é o seu público? Será que seu trabalho ainda não está maduro? Será que você não está sabendo se comunicar? Será que seu trabalho não tem relevância?

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Uma vez eu li que um bom chefe é aquele que conhece os processos de todas as tarefas da empresa, pois assim ele saberia valorizar e administrar cada uma delas. Um artista é o chefe de si mesmo (pelo menos eu vejo assim) e por isso acho importante ter a experiência de executar um quadrinho do começo ao fim: da elaboração da ideia até a distribuição e venda. Mas essa é a minha opinião.

Como você valoriza o seu trabalho?

Já ouvi algumas pessoas falarem que o financiamento coletivo ou a publicação independente não vale o (baixo) retorno financeiro e que, ao invés de se dedicar na divulgação, embalagem, envio e administração da coisa toda valia mais a pena trabalhar com outras coisas. Que vale mais a pena trabalhar como garçom em meio período do que fazer esse trabalho todo.

Eu tenho uma opinião muito rígida a respeito disso: faz quem quer. Também vale mais a pena estudar medicina do que design? Também vale mais a pena trabalhar com engenharia do que com artes?

Pra mim vale mais a pena trabalhar com aquilo que me dá prazer. Pra quem não sente prazer na realização do trabalho e sim no retorno financeiro (o que não é nem um pouco condenável), talvez o financiamento coletivo não seja uma boa opção.

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Financiamento Coletivo ou Editora?

A primeira vez que escrevi esse texto o foco era esse: dinheiro. Isso porque é no que todo mundo se baseia e busca respostas. Pra maioria das pessoas o “Vale a pena?” significa “Dá dinheiro?” e eu vou ser direto com vocês… geralmente e relativamente publicar de maneira independente dá mais dinheiro que publicar por editora. Mas dá muito mais trabalho, muito menos prestígio e atinge um público muito menor.

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Vou dar um exemplo rápido e superficial. Vamos supor que, de maneira independente, um artista faça uma tiragem de 1.000 exemplares de sua obra e que ele leve dois anos para vender tudo. Vamos chutar que o custo da impressão ficou por volta de 10 reais para cada unidade e que o quadrinho será vendido a preço de capa de 35 reais (72% de lucro). O pior cenário de venda desses exemplares é uma taxa de consignação de 40% ou 50% (ignorando algum evento que ele possa ter gastado uma nota pra participar sem vender nenhum produto), ou seja, ele sempre vai ter um lucro entre 22% e 72% do preço de capa. Levando em consideração que as vendas em livrarias são tão baixas que deixam de ser relevantes, a média fica em torno de 50% (com os 13% do Catarse, por exemplo, mais um frete no valor de 5 reais, você ainda tem um lucro líquido de 45%). Resumindo, após vender os 1.000 exemplares ao longo de dois anos, com uma média de lucro de 50% , ele teria juntado 17.500 reais.

Publicando com uma editora o autor tem direito a 10% do preço de capa, no exemplo anterior isso daria 3,50 reais por livro vendido. Para chegar no mesmo lucro que a publicação independente a editora teria que vender 5.000 exemplares em dois anos. Vende? Algumas obras sim. Outras não. Mas também tem muito autor independente que não vende 1.000 exemplares em dois anos.

Mas não pensem vocês que estou pregando um discurso contra a publicação por editoras. Estou apresentando números de autores pequenos e editoras pequenas – que é a realidade da maior parte do mercado de quadrinhos no Brasil hoje. Nem todo mundo é um Mauricio de Sousa, nem todo mundo publica um Graphic MSP. E eu estou falando de números. Querem números? Esses são os números. Mas existem outros fatores muito mais difíceis de se colocar nessa equação.

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Publicando por uma editora você tem mais chance de fazer uma tiragem maior, atingir mais pessoas, aumentar seu público, ganha notoriedade e prestígio social, ganha novas oportunidades e trabalha com uma equipe com experiência em revisão, impressão, distribuição, divulgação e vendas. E você não precisa suar e esquentar a cabeça com absolutamente NADA do processo de pós-produção. Você se preocupa com a sua obra e os caras fazem o resto por você. Essas facilidades não se traduzem em números.

Escolhas e Necessidades

Sempre gostei de acompanhar a história da indústria dos vídeo games. É interessante pensar que um produto que já foi considerado “coisa de criança”, “supérfluo” e “coisa do capeta” hoje move milhões, é mais lucrativa que o cinema e conta com uma produção independente extremamente rica, complexa e poderosa. Tudo isso em mais ou menos 40 anos de existência.

Na indústria dos games ser independente não é exatamente uma necessidade, é uma escolha. Pra quem não está familiarizado, existem jogos produzidos e publicados que movem milhões de dólares – são os chamados “triple A” (AAA). Com orçamentos milionários é difícil imaginar que as empresas invistam em ideias arriscadas. É aí que entram os jogos indies. Novas maneiras de se jogar, de trabalhar a narrativa, a jogabilidade e todos os outros recursos que a mídia oferece. É isso que é o game indie hoje em dia: aquilo que um triple A jamais seria. E é aí que o financiamento coletivo ganha um papel especial. As pessoas querem experimentar e querem financiar essas novas experiências.

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Eu não sei se algum dia o mercado independente de quadrinhos no Brasil vai chegar nesse ponto. Mas eu adoraria que chegasse. Pra isso o mercado formal precisa estar muito mais forte e estabelecido. Só assim pro financiamento coletivo aqui também ser uma escolha e não uma necessidade.

Seguem alguns sites de financiamento coletivo no Brasil:

https://www.catarse.me/
http://www.kickante.com.br/
https://www.startando.com.br/
e outros: http://mapadocrowdfunding.tumblr.com/

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Laboratório de Quadrinhos – o primeiro (mini)evento do Manjericcão!

Pra você que sempre quis fazer sua própria HQ, mas não tem a menor ideia do que fazer e por onde começar, vem aí o ciclo de oficinas Laboratório de Quadrinhos! Numa parceria do Manjericcão com o Centro Cultural Tomodachi, o evento acontecerá no dia 31/05 (próximo Domingo) das 14h às 18h.

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Para começar, será oferecida uma palestra gratuita sobre financiamento coletivo (ou crowndfunding), na qual estarão presentes alguns realizadores que utilizaram a ferramenta para arrecadar fundos para seus projetos independentes.

Em seguida os participantes serão convidados a participar do ciclo de oficinas que terá o custo mínimo de R$35,00. Todo o valor arrecadado durante o evento será revertido em apoio para o projeto “A Samurai” que, vocês sabem, está na reta final lá no Catarse.

Em contrapartida, cada participante terá direito de participar das quatro oficinas disponíveis, ganhará brindes exclusivos, receberá um certificado e terá direito a todas as recompensas disponíveis do projeto “A Samurai” dentro do valor escolhido. Em outras palavras, além de aprender sobre quadrinhos, cada participante ajudará um novo projeto a ser financiado!

Confira abaixo a programação:
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Otávio #23

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Otávio #22

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Batsuman #215

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Terminei, Catarse! Pode vir me limpar!

Eu sempre fui muito fã não só de histórias em quadrinhos, mas também de desenhos animados. E mais ou menos em 2007 eu comecei a estudar animação 2D. Eu realmente estava pilhado naquilo e queria virar animador, então além do curso que fazia tratei de ir atrás de vários livros que ensinavam as técnicas e os princípios da animação.
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Anticipation, Staging, Follow Through, Timing, Squash and Stretch… os livros ensinavam tudo sobre como animar um personagem. Alguns também davam uma boa base a respeito de elaboração de roteiros, criação de personagens, direção de arte e etc. Mas eu sentia uma deficiência muito grande em um aspecto: e depois? Eu nunca conseguia exportar um arquivo. Me batia horrores com o áudio. Não fazia a menor ideia de quais eram os melhores formatos e nem o que era preciso caso eu quisesse produzir uma película.
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Alguns anos mais tarde e eu decidi seguir carreira nos quadrinhos (digamos que eu não tenho muita paciência pra ser animador) e acabei sentindo a mesma deficiência. Em qualquer lugar você aprende como escrever e desenhar, mas e depois? Como você fecha um arquivo? Pra que serve uma sangra? Qual o melhor formato? Qual o tamanho de uma tiragem? Qual o melhor tipo de papel? Por que a cor na impressão sai tão diferente? Como estipular um preço de capa? Como fazer pra vender e distribuir? Por que pouco se fala de pós produção?

Bom, hoje não estou aqui pra falar de pós produção de uma história em quadrinhos, mas vou falar sobre o que acontece após a campanha de um projeto de financiamento coletivo!

Organização

A primeira coisa que você precisa ter em mente é: ORGANIZAÇÃO. Acredite em mim… quanto mais organizado você for, melhor. Quanto mais metódico você for, melhor. Quanto mais revisões você fizer, melhor. E mesmo assim, NADA disso vai garantir que você não cometerá erros.
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Revisões

Hoje em dia o Catarse está com um sistema fantástico de controle de apoiadores. Você tem acesso à todos os nomes, endereços, e-mails e recompensas das mais variadas formas. Seja na própria página do site, diariamente por e-mail ou baixando os formulários. Em 2011 e 2012 a história era bem diferente hahah E meu grupo fazia questão de entrar em contato com cada apoiador para confirmar nome, endereço e recompensa.
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Apesar dessa imensa facilidade, não é bom dar bobeira. As revisões são extremamente necessárias. Um simples e-mail pode evitar um retorno de pacote se você notar que um endereço está incompleto; Um rápido contato pode garantir que seu apoiador indique um tamanho de camiseta desejado e o faça mais feliz; Ter suas próprias anotações vão garantir que você não erre nenhuma “troca de recompensa” ou qualquer tipo de acordo que você possa ter feito durante a campanha; Dividir os apoiadores pelo valor de recompensa pode facilitar horrores na hora de embalar e enviar tudo.

Comprometimento

Ok, vamos ser sinceros aqui… Todo e qualquer cronograma foi e é feito para dar errado. Todo mundo sabe disso. Você acha que vai levar uma hora e leva duas; diz que até o final da semana termina e acaba trabalhando no Domingo; Acha que até Setembro tá tranquilo e passa Agosto correndo com a água batendo na bunda. Mesmo assim… MESMO ASSIM… se você prometeu, você tem que cumprir!

Problemas acontecem, é normal. Fornecedores atrasam, a gente fica doente, dificuldades surgem do além pra nos aterrorizar, mas mesmo assim é preciso ter em mente que você possui um CONTRATO com cada um dos seus apoiadores e PRECISA cumprir com ele.
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Mantendo Contato

Se mesmo assim você atrasar, pelo menos continue mantendo o contato. Aliás, mantenha o contato com seus apoiadores sempre. Deixe todo mundo acompanhar o processo da coisa toda. Como vai a produção? O quadrinho já foi pra gráfica? Como estão as recompensas? Quem já está recebendo os pacotes? O lançamento vai ser que dia? Vai atrasar? Não vai? Lembre-se que essas pessoas acreditaram em você e apoiaram o seu trabalho. O mínimo que você precisa fazer em retribuição é deixá-los à par de tudo o que está acontecendo com o projeto.
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Volume de trabalho

Fazer um Catarse com certeza garante muita experiência. Você aprende muito sobre muitas coisas. Sobre planejamento, divulgação, logística, cronograma… E se você acha que deu trabalho antes ou durante a campanha, você não tem ideia do que te aguarda DEPOIS dela.

Autógrafos e recompensas individuais: Se você pretende autografar todos os exemplares e/ou produzir alguma recompensa manualmente, fique ciente que você não conseguirá fazer tudo em um dia. Nem em dois. Provavelmente nem em uma semana inteira. Então não fique se matando durante horas seguidas assinando livros até seu braço cair, porque você não vai conseguir terminar e ainda vai precisar do braço no dia seguinte. Separe algumas horinhas por dia para se dedicar à isso. Ajuda também a ter uma lista de controle e estipular um volume x por dia. Vai por mim, autografar 100, 200, 500 livros de uma só vez é humanamente impossível. Vai com calma.

Embalagens: Outra coisa que leva muito tempo é embalar os pacotes de apoio. Não confie muito na delicadeza dos nossos amados Correios. Use plástico bolha, lâminas de papelão, fitas adesivas nos cantos ou o que mais você achar necessário. Separe sua lista em valores (por exemplo: comece embalando o da galera que só vai receber o livro), baixe o espírito chinês em você e mãos à obra!

Fornecedores: Eles atrasam. Lembre-se disso e comece embalando os pacotes mais simples deixando os mais complexos por último. Ajuda que é uma beleza.

Chame ajuda: Sério. Você vai precisar.

Envios

Eu falei por cima no texto sobre valores que existe uma categoria de envio nos Correios específica para impressos: é o registro módico. Você pode usar tanto como pessoa física quanto jurídica e é válido para enviar livros em geral e materiais didáticos impressos ou gravados em CDs e DVDs. Fica muito mais barato que o tradicional PAC e você ainda recebe o código de rastreio para enviar aos apoiadores para eles conferirem o andamento de suas encomendas.
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Outra coisa maneira que você pode fazer é verificar se alguma das agências próximas à sua casa possui o serviço de coleta, ou seja, o próprio Correio envia um veículo para coletar os pacotes na sua residência.

Problemas comuns

Agora sim! Pra finalizar, vamos ao Top 5 dos erros mais comuns após uma campanha de financiamento coletivo!

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Quando o cara acha que vai gastar 2 reais e gasta 4, multiplica por mil e tem 2mil reais de rombo no orçamento! No texto sobre valores eu dei várias dicas de como evitar que isso ocorra. Se mesmo assim acontecer, paciência… tem que dar um jeito.

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Não sei se isso acontece só comigo. Eu sou campeão nisso e é a maior vergonha do mundo quando acontece num evento. Se você já teve uma dedicatória errada escrita por mim, desculpa. Sério. Eu tenho probleminhas. Pelo menos quando o erro ocorre no conforto do lar dá pra dar uma adaptada, ver se rola substituir com outra pessoa (tipo “Danielle” e “Daniele”) e se não tiver como… aí eu guardo pra mim o exemplar. Alguns artistas passam o livro adiante assim mesmo.

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Já aconteceu comigo como autor e como apoiador. Sabe quando você escreve um texto e revisa um milhão de vezes, aí vê ele publicado e tá lá um maldito erro de concordância grotesco que parece ser impossível de não notar? Então.. isso acontece também com nomes de apoiadores na página de agradecimentos.

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Um cláaaassico! Acontece DIRETO. Às vezes você esquece de entregar algo, às vezes entrega a mais. A maioria dos apoiadores nem vai lembrar com quanto contribuiu, mas isso não é justificativa para enviar/entregar coisa errada. A melhor forma de evitar isso é manter uma lista bonita e legível dos apoiadores.
Bônus: entregar a recompensa pessoalmente num evento, esquecer e enviar de novo pelo correio. Acontece.

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O campeão! Eu já até separo no orçamento uma verba para os reenvios. É endereço incompleto, não tinha ninguém em casa, a pessoa se mudou, o carteiro foi assaltado… tudo ocorre! Se você vai cobrar o reenvio do apoiador ou não, é você quem decide. Particularmente prefiro bancar o primeiro reenvio. A partir do segundo é a pessoa que tem que bancar (já aconteceu de ter que reenviar mais de três vezes).

Outra questã~~ é se a pessoa nunca responder o contato com o endereço correto. Eu costumo fazer a mesma coisa que no item 4, ou seja, deixar o pacote guardado até que ela se manifeste, mas tem artistas que passam o livro pra frente.

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Então é isso, pessoal! Espero que esse texto prepare a alma dos meus amigos que estão em fase pós-catarse e convido a todos a visitar nossa página no Catarse do livro “A Samurai”! Estamos nas últimas semanas de campanha e precisamos do apoio de todo mundo! Escolham a recompensa que acharem mais legal e nos ajude a tornar esse sonho realidade. ;D

A Samurai – Bianca Pinheiro

Fomos até o lançamento de BEAR 2, que aconteceu dia 18 de abril na Livrara Cultura do Shopping Curitiba. Apesar de ter autografado vários livros, Bianca Pinheiro aceitou responder umas perguntinhas rápidas sobre seu trabalho e sua participação no projeto A Samurai.

A Samurai - Bianca Pinheiro A Samurai - Bianca Pinheiro A Samurai - Bianca Pinheiro

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