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Afinal, o financiamento coletivo vale o esforço?

Reflexões, aprendizados, trabalho duro, retorno financeiro, escolhas e necessidades. Afinal, o financiamento coletivo vale a pena? A campanha para financiar o quadrinho “A Samurai” terminou de maneira esplendorosa, mas não sem antes derramar sangue, suor e lágrimas (nem todas literais). E justamente por essa nova onda de emoções decidi refazer este último texto dessa série (e é também por isso que ele atrasou tanto pra sair).

Reflexões e Aprendizados

Sabe esses reality shows de profissão tipo “O Aprendiz” ou “Master Chef”, onde os participantes lidam com situações extremas, em condições extremas em prazos extremamente curtos numa onda de stress e emoções variadas? É como se fosse um baita intensivão agressivo de teoria e prática de uma profissão. Pois então… isso é o financiamento coletivo. Pelo menos todos os que eu vivi foram assim: grandes cursos intensivos de como publicar um quadrinho.

justus

Você planeja, escreve, desenha, edita, revisa, diagrama, monta, imprime, divulga, vende, embala e distribui num período curtíssimo de tempo e sob a pressão dos olhares de centenas de pessoas. Há três anos eu frequento eventos para vender meus quadrinhos e toda vez que encontro outros artistas nós conversamos sobre tipos de publicações, formatos, tiragens, abordagens, promoções… Estamos constantemente nos perguntando o que funciona ou não funciona no mercado ou como alavancar as vendas de algum quadrinho. São reflexões que duram longos meses ou anos até que a tiragem se esgote (ou não). Numa campanha de financiamento coletivo você não tem longos meses ou anos. Você tem dias. 60, 50, 40, 30 dias para identificar um problema, achar uma solução, executar, avaliar sua resposta, desenvolver uma alternativa, executar novamente e assim por diante. E a cada dia que a arrecadação passa longe do 100% é menor a sua chance de chegar até lá.

A maioria das campanhas possui um período lá na metade em que a coisa toda para. E é NESSE MOMENTO que os maiores aprendizados ocorrem. É quando você deixa de pensar apenas na sua campanha e passa a pensar em toda a sua trajetória profissional. Afinal, o que você está escrevendo? O que está produzindo? Pra quem e pra que você está fazendo isso tudo? Qual a sua identidade? Quem é o seu público? Será que seu trabalho ainda não está maduro? Será que você não está sabendo se comunicar? Será que seu trabalho não tem relevância?

board

Uma vez eu li que um bom chefe é aquele que conhece os processos de todas as tarefas da empresa, pois assim ele saberia valorizar e administrar cada uma delas. Um artista é o chefe de si mesmo (pelo menos eu vejo assim) e por isso acho importante ter a experiência de executar um quadrinho do começo ao fim: da elaboração da ideia até a distribuição e venda. Mas essa é a minha opinião.

Como você valoriza o seu trabalho?

Já ouvi algumas pessoas falarem que o financiamento coletivo ou a publicação independente não vale o (baixo) retorno financeiro e que, ao invés de se dedicar na divulgação, embalagem, envio e administração da coisa toda valia mais a pena trabalhar com outras coisas. Que vale mais a pena trabalhar como garçom em meio período do que fazer esse trabalho todo.

Eu tenho uma opinião muito rígida a respeito disso: faz quem quer. Também vale mais a pena estudar medicina do que design? Também vale mais a pena trabalhar com engenharia do que com artes?

Pra mim vale mais a pena trabalhar com aquilo que me dá prazer. Pra quem não sente prazer na realização do trabalho e sim no retorno financeiro (o que não é nem um pouco condenável), talvez o financiamento coletivo não seja uma boa opção.

satisfação

Financiamento Coletivo ou Editora?

A primeira vez que escrevi esse texto o foco era esse: dinheiro. Isso porque é no que todo mundo se baseia e busca respostas. Pra maioria das pessoas o “Vale a pena?” significa “Dá dinheiro?” e eu vou ser direto com vocês… geralmente e relativamente publicar de maneira independente dá mais dinheiro que publicar por editora. Mas dá muito mais trabalho, muito menos prestígio e atinge um público muito menor.

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Vou dar um exemplo rápido e superficial. Vamos supor que, de maneira independente, um artista faça uma tiragem de 1.000 exemplares de sua obra e que ele leve dois anos para vender tudo. Vamos chutar que o custo da impressão ficou por volta de 10 reais para cada unidade e que o quadrinho será vendido a preço de capa de 35 reais (72% de lucro). O pior cenário de venda desses exemplares é uma taxa de consignação de 40% ou 50% (ignorando algum evento que ele possa ter gastado uma nota pra participar sem vender nenhum produto), ou seja, ele sempre vai ter um lucro entre 22% e 72% do preço de capa. Levando em consideração que as vendas em livrarias são tão baixas que deixam de ser relevantes, a média fica em torno de 50% (com os 13% do Catarse, por exemplo, mais um frete no valor de 5 reais, você ainda tem um lucro líquido de 45%). Resumindo, após vender os 1.000 exemplares ao longo de dois anos, com uma média de lucro de 50% , ele teria juntado 17.500 reais.

Publicando com uma editora o autor tem direito a 10% do preço de capa, no exemplo anterior isso daria 3,50 reais por livro vendido. Para chegar no mesmo lucro que a publicação independente a editora teria que vender 5.000 exemplares em dois anos. Vende? Algumas obras sim. Outras não. Mas também tem muito autor independente que não vende 1.000 exemplares em dois anos.

Mas não pensem vocês que estou pregando um discurso contra a publicação por editoras. Estou apresentando números de autores pequenos e editoras pequenas – que é a realidade da maior parte do mercado de quadrinhos no Brasil hoje. Nem todo mundo é um Mauricio de Sousa, nem todo mundo publica um Graphic MSP. E eu estou falando de números. Querem números? Esses são os números. Mas existem outros fatores muito mais difíceis de se colocar nessa equação.

caminhos

Publicando por uma editora você tem mais chance de fazer uma tiragem maior, atingir mais pessoas, aumentar seu público, ganha notoriedade e prestígio social, ganha novas oportunidades e trabalha com uma equipe com experiência em revisão, impressão, distribuição, divulgação e vendas. E você não precisa suar e esquentar a cabeça com absolutamente NADA do processo de pós-produção. Você se preocupa com a sua obra e os caras fazem o resto por você. Essas facilidades não se traduzem em números.

Escolhas e Necessidades

Sempre gostei de acompanhar a história da indústria dos vídeo games. É interessante pensar que um produto que já foi considerado “coisa de criança”, “supérfluo” e “coisa do capeta” hoje move milhões, é mais lucrativa que o cinema e conta com uma produção independente extremamente rica, complexa e poderosa. Tudo isso em mais ou menos 40 anos de existência.

Na indústria dos games ser independente não é exatamente uma necessidade, é uma escolha. Pra quem não está familiarizado, existem jogos produzidos e publicados que movem milhões de dólares – são os chamados “triple A” (AAA). Com orçamentos milionários é difícil imaginar que as empresas invistam em ideias arriscadas. É aí que entram os jogos indies. Novas maneiras de se jogar, de trabalhar a narrativa, a jogabilidade e todos os outros recursos que a mídia oferece. É isso que é o game indie hoje em dia: aquilo que um triple A jamais seria. E é aí que o financiamento coletivo ganha um papel especial. As pessoas querem experimentar e querem financiar essas novas experiências.

games

Eu não sei se algum dia o mercado independente de quadrinhos no Brasil vai chegar nesse ponto. Mas eu adoraria que chegasse. Pra isso o mercado formal precisa estar muito mais forte e estabelecido. Só assim pro financiamento coletivo aqui também ser uma escolha e não uma necessidade.

Seguem alguns sites de financiamento coletivo no Brasil:

https://www.catarse.me/
http://www.kickante.com.br/
https://www.startando.com.br/
e outros: http://mapadocrowdfunding.tumblr.com/

Terminei, Catarse! Pode vir me limpar!

Eu sempre fui muito fã não só de histórias em quadrinhos, mas também de desenhos animados. E mais ou menos em 2007 eu comecei a estudar animação 2D. Eu realmente estava pilhado naquilo e queria virar animador, então além do curso que fazia tratei de ir atrás de vários livros que ensinavam as técnicas e os princípios da animação.
anima

Anticipation, Staging, Follow Through, Timing, Squash and Stretch… os livros ensinavam tudo sobre como animar um personagem. Alguns também davam uma boa base a respeito de elaboração de roteiros, criação de personagens, direção de arte e etc. Mas eu sentia uma deficiência muito grande em um aspecto: e depois? Eu nunca conseguia exportar um arquivo. Me batia horrores com o áudio. Não fazia a menor ideia de quais eram os melhores formatos e nem o que era preciso caso eu quisesse produzir uma película.
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Alguns anos mais tarde e eu decidi seguir carreira nos quadrinhos (digamos que eu não tenho muita paciência pra ser animador) e acabei sentindo a mesma deficiência. Em qualquer lugar você aprende como escrever e desenhar, mas e depois? Como você fecha um arquivo? Pra que serve uma sangra? Qual o melhor formato? Qual o tamanho de uma tiragem? Qual o melhor tipo de papel? Por que a cor na impressão sai tão diferente? Como estipular um preço de capa? Como fazer pra vender e distribuir? Por que pouco se fala de pós produção?

Bom, hoje não estou aqui pra falar de pós produção de uma história em quadrinhos, mas vou falar sobre o que acontece após a campanha de um projeto de financiamento coletivo!

Organização

A primeira coisa que você precisa ter em mente é: ORGANIZAÇÃO. Acredite em mim… quanto mais organizado você for, melhor. Quanto mais metódico você for, melhor. Quanto mais revisões você fizer, melhor. E mesmo assim, NADA disso vai garantir que você não cometerá erros.
kraft

Revisões

Hoje em dia o Catarse está com um sistema fantástico de controle de apoiadores. Você tem acesso à todos os nomes, endereços, e-mails e recompensas das mais variadas formas. Seja na própria página do site, diariamente por e-mail ou baixando os formulários. Em 2011 e 2012 a história era bem diferente hahah E meu grupo fazia questão de entrar em contato com cada apoiador para confirmar nome, endereço e recompensa.
endereço

Apesar dessa imensa facilidade, não é bom dar bobeira. As revisões são extremamente necessárias. Um simples e-mail pode evitar um retorno de pacote se você notar que um endereço está incompleto; Um rápido contato pode garantir que seu apoiador indique um tamanho de camiseta desejado e o faça mais feliz; Ter suas próprias anotações vão garantir que você não erre nenhuma “troca de recompensa” ou qualquer tipo de acordo que você possa ter feito durante a campanha; Dividir os apoiadores pelo valor de recompensa pode facilitar horrores na hora de embalar e enviar tudo.

Comprometimento

Ok, vamos ser sinceros aqui… Todo e qualquer cronograma foi e é feito para dar errado. Todo mundo sabe disso. Você acha que vai levar uma hora e leva duas; diz que até o final da semana termina e acaba trabalhando no Domingo; Acha que até Setembro tá tranquilo e passa Agosto correndo com a água batendo na bunda. Mesmo assim… MESMO ASSIM… se você prometeu, você tem que cumprir!

Problemas acontecem, é normal. Fornecedores atrasam, a gente fica doente, dificuldades surgem do além pra nos aterrorizar, mas mesmo assim é preciso ter em mente que você possui um CONTRATO com cada um dos seus apoiadores e PRECISA cumprir com ele.
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Mantendo Contato

Se mesmo assim você atrasar, pelo menos continue mantendo o contato. Aliás, mantenha o contato com seus apoiadores sempre. Deixe todo mundo acompanhar o processo da coisa toda. Como vai a produção? O quadrinho já foi pra gráfica? Como estão as recompensas? Quem já está recebendo os pacotes? O lançamento vai ser que dia? Vai atrasar? Não vai? Lembre-se que essas pessoas acreditaram em você e apoiaram o seu trabalho. O mínimo que você precisa fazer em retribuição é deixá-los à par de tudo o que está acontecendo com o projeto.
nasceu

Volume de trabalho

Fazer um Catarse com certeza garante muita experiência. Você aprende muito sobre muitas coisas. Sobre planejamento, divulgação, logística, cronograma… E se você acha que deu trabalho antes ou durante a campanha, você não tem ideia do que te aguarda DEPOIS dela.

Autógrafos e recompensas individuais: Se você pretende autografar todos os exemplares e/ou produzir alguma recompensa manualmente, fique ciente que você não conseguirá fazer tudo em um dia. Nem em dois. Provavelmente nem em uma semana inteira. Então não fique se matando durante horas seguidas assinando livros até seu braço cair, porque você não vai conseguir terminar e ainda vai precisar do braço no dia seguinte. Separe algumas horinhas por dia para se dedicar à isso. Ajuda também a ter uma lista de controle e estipular um volume x por dia. Vai por mim, autografar 100, 200, 500 livros de uma só vez é humanamente impossível. Vai com calma.

Embalagens: Outra coisa que leva muito tempo é embalar os pacotes de apoio. Não confie muito na delicadeza dos nossos amados Correios. Use plástico bolha, lâminas de papelão, fitas adesivas nos cantos ou o que mais você achar necessário. Separe sua lista em valores (por exemplo: comece embalando o da galera que só vai receber o livro), baixe o espírito chinês em você e mãos à obra!

Fornecedores: Eles atrasam. Lembre-se disso e comece embalando os pacotes mais simples deixando os mais complexos por último. Ajuda que é uma beleza.

Chame ajuda: Sério. Você vai precisar.

Envios

Eu falei por cima no texto sobre valores que existe uma categoria de envio nos Correios específica para impressos: é o registro módico. Você pode usar tanto como pessoa física quanto jurídica e é válido para enviar livros em geral e materiais didáticos impressos ou gravados em CDs e DVDs. Fica muito mais barato que o tradicional PAC e você ainda recebe o código de rastreio para enviar aos apoiadores para eles conferirem o andamento de suas encomendas.
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Outra coisa maneira que você pode fazer é verificar se alguma das agências próximas à sua casa possui o serviço de coleta, ou seja, o próprio Correio envia um veículo para coletar os pacotes na sua residência.

Problemas comuns

Agora sim! Pra finalizar, vamos ao Top 5 dos erros mais comuns após uma campanha de financiamento coletivo!

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Quando o cara acha que vai gastar 2 reais e gasta 4, multiplica por mil e tem 2mil reais de rombo no orçamento! No texto sobre valores eu dei várias dicas de como evitar que isso ocorra. Se mesmo assim acontecer, paciência… tem que dar um jeito.

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Não sei se isso acontece só comigo. Eu sou campeão nisso e é a maior vergonha do mundo quando acontece num evento. Se você já teve uma dedicatória errada escrita por mim, desculpa. Sério. Eu tenho probleminhas. Pelo menos quando o erro ocorre no conforto do lar dá pra dar uma adaptada, ver se rola substituir com outra pessoa (tipo “Danielle” e “Daniele”) e se não tiver como… aí eu guardo pra mim o exemplar. Alguns artistas passam o livro adiante assim mesmo.

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Já aconteceu comigo como autor e como apoiador. Sabe quando você escreve um texto e revisa um milhão de vezes, aí vê ele publicado e tá lá um maldito erro de concordância grotesco que parece ser impossível de não notar? Então.. isso acontece também com nomes de apoiadores na página de agradecimentos.

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Um cláaaassico! Acontece DIRETO. Às vezes você esquece de entregar algo, às vezes entrega a mais. A maioria dos apoiadores nem vai lembrar com quanto contribuiu, mas isso não é justificativa para enviar/entregar coisa errada. A melhor forma de evitar isso é manter uma lista bonita e legível dos apoiadores.
Bônus: entregar a recompensa pessoalmente num evento, esquecer e enviar de novo pelo correio. Acontece.

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O campeão! Eu já até separo no orçamento uma verba para os reenvios. É endereço incompleto, não tinha ninguém em casa, a pessoa se mudou, o carteiro foi assaltado… tudo ocorre! Se você vai cobrar o reenvio do apoiador ou não, é você quem decide. Particularmente prefiro bancar o primeiro reenvio. A partir do segundo é a pessoa que tem que bancar (já aconteceu de ter que reenviar mais de três vezes).

Outra questã~~ é se a pessoa nunca responder o contato com o endereço correto. Eu costumo fazer a mesma coisa que no item 4, ou seja, deixar o pacote guardado até que ela se manifeste, mas tem artistas que passam o livro pra frente.

minibanner

Então é isso, pessoal! Espero que esse texto prepare a alma dos meus amigos que estão em fase pós-catarse e convido a todos a visitar nossa página no Catarse do livro “A Samurai”! Estamos nas últimas semanas de campanha e precisamos do apoio de todo mundo! Escolham a recompensa que acharem mais legal e nos ajude a tornar esse sonho realidade. ;D

Os estágios Catárticos de uma campanha

Acompanho projetos de quadrinhos no Catarse desde 2012, estou pra financiar minha quinta publicação nessa plataforma e a única certeza que eu tenho sobre uma campanha é: não há como ter certeza de nada. Cada experiência é única.

Se você já teve a curiosidade de investigar o histórico de campanhas bem sucedidas no Catarse, pode ser que tenha tirado conclusões precipitadas. Isso porque não há como saber como foi o processo olhando apenas para seu resultado final. Ver que tal projeto terminou com 150% da meta atingida não mostra que até uma semana antes de fechar o prazo ele estava desesperadamente estagnado nos 40%!
esbelto

Então hoje vou destrinchar os estágios mais comuns de uma campanha de financiamento coletivo!

Fase 1: O medroso corajoso

Em 2011, no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos – Belo Horizonte), conheci o “Achados e Perdidos” do Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho. Extremamente animados com a ideia do financiamento coletivo, eu e meus colegas de LoboLimão decidimos colocar um projeto no Catarse. Isso era 2012, poucas pessoas conheciam e entendiam a brincadeira e quase não tínhamos modelos a seguir. Calculamos todas as nossa despesas e havíamos chegado num valor muito alto, o que nos obrigou a recalcular algumas coisas e cortar várias outras até chegar no valor de R$13mil. Felizmente conseguimos juntar quase R$17mil. Mas isso não nos reconfortou na hora de estipular a meta pra campanha do ano seguinte.

Era ano de FIQ, o Catarse já estava mais difundido e nós já estávamos mais conhecidos. Não foi o suficiente. Tivemos medo. E apesar de precisarmos de cerca de R$15mil pedimos apenas R$10mil. Chegamos a cogitar pedir ainda menos. A inexperiência e o medo podem fazer você cometer erros dos quais você pode se arrepender muito depois. Mas, como minha mãe sempre disse, eu tenho mais sorte que juízo e, felizmente, reunimos mais de R$15mil.
doragon

No ano seguinte, com o Catarse fervendo de projetos resolvi dar um passinho à frente. Meu objetivo era financiar não um, mas DOIS quadrinhos de uma só vez. Eu precisava de exatamente R$15mil reais e foi exatamente quanto juntei, mesmo pedindo apenas R$10mil. Mas, ora, fui como o Chapolin e todos os meus movimentos foram friamente calculados (ou não).

Fase 2: O matemático

Em 2012, quando realizei minha primeira campanha eu não fazia a menor ideia de como seria o ritmo dos apoios. Então o que eu fiz foi esperar que juntássemos 12,5% por semana (durante 8 semanas). Aliás, tínhamos metas diárias: R$216 por dia! Deu certo na primeira semana? Sim! E nas outras? É claro que não. E a agonia e a ansiedade foram tomando conta. Você começa a calcular e recalcular quanto precisa entrar por dia TODO DIA pra atingir a meta no tempo certo. Mas nunca bate. E aí você volta a calcular tudo de novo.
contador

Já a largada de 2013 foi menos burra. Nós já tínhamos a experiência passada e sabíamos como a coisa toda funcionava, mas foi a campanha do Batsuman que me deixou feliz. Eu havia lido um artigo no blog do Catarse a respeito de um grupo que bateu sua meta de R$10mil em 5 horas! Uma das dicas era oferecer uma recompensa pras primeiras contribuições. Então eu fiz igual e prometi um sketch pros primeiros 50 apoiadores. Lembro de estar em um hotel em Itajaí (por causa de um evento) anotando os nomes dos apoiadores que iam pipocando para não me perder.

Fase 3: F5

Se você não sabe como é fazer uma campanha no Catarse, vou resumir pra você: F5. F5. F5.
Você não come, não dorme, não trabalha, não faz mais nada. Você dá refresh na página. É só isso que você faz: F5! F5! F5! E se aparecer algum apoiador, você corre pra ver quem é. É sempre assim. Sempre. Acredite.
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Apesar de essa ser a sua mais nova grande diversão, cuidado, é como uma droga que vai sugar a sua alma e acabar com a sua vida. A primeira semana é bacana. É jóia! Muitos apoios, dinheirinho entrando… Mas a medida que o tempo vai passando a campanha perde o fôlego. E isso é normal. Os mais chegados vão correr pra apoiar, mas a grande maioria vai esperar virar o cartão, vai esperar ter a certeza do 100% e por aí vai. A dica é não se deixar ser sugado pelo terror que  está por vir…

Fase 4: O velho marinheiro

“Dia após dia sem se mover nem respirar. Parados como numa pintura de navio no oceano. Água, água por todos os lados e nem uma gota para beber.” A calmaria na metade da campanha é normal. Mas lá em 2012 quando fiz meu primeiro Catarse eu não sabia. E o desespero bateu.
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Lembro que paramos com cerca de 45% e ficamos nisso durante mais de uma semana. Talvez duas. Não sei, minha memória afetiva diz que foram décadas de sofrimento e dor. E devo admitir que não fui um nobre sobrevivente. Nós apelamos pra arma secreta: nós mesmos injetamos mais de 3mil reais. Isso nos empurrou para o animador 70% e, como num passe de mágica, as pessoas passaram a acreditar! Essa trava dos 40% voltou a nos assombrar na campanha do ano seguinte, mas não tivemos que apelar e tudo se desenrolou sozinho.

Fase 5: O feirante

Imagine que você está numa feira e lá no cantão tem uma barraquinha vazia. Ela não aparece muito atraente, né? Agora imagine que no centro dessa feira tem uma tenda socada de pessoas berrando, gesticulando e jogando dinheiro na cara do feirante. Parece bom, né? Deve valer a pena. Objetivo de vida: seja essa tenda no Catarse.

É por isso que os apoios iniciais são tão importantes. É por isso que não é bom deixar a campanha parada sem apoio muito tempo. E é por isso que é extremamente importante chegar nos 100% o mais rápido possível. Gente atrai gente.
feira

Em 2014 na campanha do Batsuman, ao contrário das outras duas, os apoios foram estranhamente regulares. Toda semana entrou de 10% a 15%. Sem falta. E eu tenho certeza de que isso influenciou muita gente na hora de ajudar a financiar o projeto.

Fase 6: Gente que deixa tudo pra última hora…

Quem tem medo de apostar só se mexe na certeza de vitória. Não é nem um pouco incomum projetos ultrapassarem a marca dos 100%. Mais normal ainda é isso ocorrer nos acréscimos do segundo tempo. Lembro que nas três campanhas que realizei juntei mais dinheiro nos últimos 5 dias do que no mês anterior todo.
graficuzinho

Como eu disse lá em cima, a campanha de 2014 foi para financiar dois quadrinhos. Assim que o Batsuman fechou 100% eu corri com a divulgação do PAF PAF e precisava chegar nos 150%. Sabendo que, se isso acontecesse, os apoiadores receberiam outra HQ, várias pessoas realizaram um segundo apoio. Foi como um parcelamento sem juros.

Então minha dica pra quem curte apoiar projetos no Catarse é: não deixe pra última hora. Não faça alguém sofrer do coração. Apoie ANTES de chegar no 100%. Essa é que é a graça da parada: ajudar a viabilizar. Se for preciso faça em dois apoios (mas pergunte/avise/converse com o dono do projeto pra ele não se embananar depois)

E minha dica pra quem está com projeto ativo: relaxa, cara… Vai dar tudo certo.
Ou melhor.. não relaxa não! Vai divulgar! Vai lá! Vai apoiar A Samurai! =D

minibanner

Na semana que vem vou falar o que acontece depois que a campanha acaba!

Você tem um minuto pra ouvir a palavra d…

Uma das coisas mais legais e valiosas em se fazer um crowdfunding é ter a oportunidade de novas pessoas conhecerem seu trabalho. O Catarse, por exemplo, já tem uma comunidade bem grandinha e é referência pra muitas pessoas. Mas engana-se quem pensa que é só jogar um projeto lá que a coisa vai andar sozinha. NOPE! Hoje continuo a série de textos sobre crowdfunding (você pode encontrar os outros clicando AQUI) e o tema da vez é: DIVULGAÇÃO.

vendedor

Por falar em divulgação, quero lembrar a todos que está rolando a campanha de financiamento do projeto “A Samurai” que tem roteiro da Mylle e arte minha e de mais sete artistas talentosíssimos. Quem quiser conferir as fantásticas recompensas, é só clicar AQUI.

minibanner

Vamos lá então. Hoje vou explorar 5 mitos e 5 verdades a respeito de campanhas de divulgação de crowdfunding! (É claro que quem achar que estou falando abobrinhas pode se manifestar)

mito1
Já disse no comecinho do texto, mas vale a pena repetir. Não é bem assim. São vários os fatores que levam uma pessoa a contribuir ou não com um projeto. Desde a apresentação até o número de contribuições no momento. A coisa não anda sozinha! Se nem o proponente dá atenção, por que as outras pessoas dariam?

mito2
Mentira. E essa é a que mais escuto. É óbvio que uma pessoa com milhões de seguidores e fãs tem mais chances de bater uma meta. São milhões de pessoas lendo e dando atenção ao que o artista diz. Mas fama não é certeza de sucesso. No crowdfunding todo mundo rala! E rala muito! E se você não tem um público formado, quer ferramenta mais maneira para começar a formar um que o próprio Catarse?

mito3
Não vou dizer que é mentira, mas que é MUITO questionável.. ah, isso é. Internet se divulga na internet. Um panfleto, por mais que tenha QRcode, NUNCA vai ter a força de um botão. Aparecer na TV ou no jornal não é garantia de obter atenção do seu público alvo. E além disso… ainda não tem o poder do link clicável. Internet se divulga na internet.

mito4
Não mesmo! Quanto mais popular o Catarse se torna, mais exigentes ficam os apoiadores. Não é só porque ele contribuiu com um quadrinho que vai com certeza contribuir com outro. Principalmente se ele já se decepcionou com algum! Mesmo se estivermos falando do seu próprio projeto. Falo por experiência própria. Estou na minha quarta campanha e garanto, são poucos os nomes que figuraram nas quatro. Cada campanha é única.

mito5
Essa eu escuto muito quando o assunto é vendas, mas também vale pra crowdfunding. “O público de mangá é enorme, eles vão comprar esse quadrinho estilo mangá”; “O público de super heróis é gigantesco, eles vão adorar esse herói novo”; “O mercado independente cresce a olhos vistos, qualquer obra vende muito”; “O site tem milhões de acessos, o livro deve vender como água”. Gente… tudo isso é mentira. Não existe caminho fácil. Não existe atalho pro sucesso.

verdade1
Se você já fez alguma campanha no Catarse, já deve ter ouvido ou lido a seguinte frase: “não posso agora, me lembra mais tarde que eu quero ajudar” ou “tô só esperando o cartão virar e eu vou contribuir, me lembra daqui duas semanas”. E eu lhe garanto: essas pessoas não estão mentindo. E elas PRECISAM que você as lembre. Aliás… TODO MUNDO precisa ser lembrado que sua campanha está no ar. TODO DIA. Talvez várias vezes ao dia. Se não quer pagar de chato, seja criativo. Só não deixe de divulgar.. TODO DIA.

verdade2
Tem mesmo. Por isso é sempre importante ensinar todo o passo a passo de como funciona a campanha, como faz pra contribuir e o que acontece se não atingir a meta. E aí vai uma dica.. se mesmo assim a pessoa não entender e/ou quiser te dar o dinheiro em mãos, vale a pena pegar e você mesmo fazer a contribuição no nome dela. Às vezes a pessoa tem preguiça ou quer que você decida o que fazer com a grana.

verdade3
Uma campanha do Catarse fica no ar por, no máximo, 60 dias. Por que esperar começar a contagem regressiva pra fazer as pessoas conhecerem seu projeto? Faça elas se acostumarem cedo com a ideia toda. Uma dica legal é oferecer um brinde a mais para os primeiros apoiadores. Esse kick inicial é muito importante para causar uma “boa impressão” e estimular novos apoios.

verdade4
“Esse ano tem FIQ, vai ter projeto a dar com pau”. Vai mesmo. “Esse ano tem eleições e Copa, vai ser mais difícil disputar atenção nas redes sociais”. Ô, se vai. “Fim/Começo de ano é meio morto”. Sempre. “Começar no começo de mês é bom, porque a galera tem dinheiro” Verdade. “Mas terminar no começo de mês também é bom, porque é no final da campanha que a grande maioria apoia”. Verdade também. “O projeto entrou no ar Sexta-feira, até cair o boleto…!” Já vai ser Quarta. “A campanha entrou no ar no meio da noite, nem tinha visto” Nem vi mesmo.

verdade5
É importante fazer contatos, fazer amizades, ir nos eventos, conhecer e participar da comunidade. Não só pelo fato de que uma mão lava a outra, mas você pode conseguir mais contatos, mais visibilidade e mais oportunidades e, o melhor de tudo, mais experiência. Quadrinistas são legais. Todos nós estamos sempre dispostos a nos ajudar. Unidos, venceremos.

Gosto de trabalhar com duas lógicas em minhas campanhas: Uma é que se a pessoa QUER, ela vai atrás, mas ela só pode querer se ela souber que existe! Outra é que se você for uma pessoa justa e sincera e seu trabalho for bom de verdade, as pessoas terão prazer em te ajudar; em apoiar; em compartilhar.

Semana que vem falarei sobre as etapas da campanha, o stress, o nervosismo e como tentar diminuir tudo isso tendo o máximo de controle da coisa toda. E se você ainda não garantiu o seu exemplar d’A Samurai, CLIQUE AQUI! =D

Olá, meu nome é Crowdfunding, mas vocês podem me chamar de Cráudio.

Como vocês sabem, está rolando o Catarse do projeto “A SAMURAI” e em clima de campanha o Manjericcão está apresentando uma série de textos que debatem a essência, as etapas e tudo mais sobre o crowdfunding! Este é o quarto post e você pode encontrar os outros clicando AQUI. No texto de hoje falarei sobre como bolar uma boa apresentação de campanha!

minibanner

Uma boa apresentação é fundamental. Seja através do vídeo ou dos textos e imagens, a página do seu projeto tem como objetivo mais do que apresentar seu trabalho. Seu objetivo é ciceronear o seu público pelo excepcional universo das suas ideias e instigá-lo a unir-se nessa construção de um verdadeiro sonho. (bonito, né?) E pra tornar a coisa toda mais legal, vamos fazer uma lista! Yay! Todos amam listas. Então aí vão as… 10 dicas para montar a apresentação do Cráudio.

1. Você tem seu estilo, o Cráudio tem todos

A primeira coisa que você precisa pensar é nos tipos de pessoas que vão acessar a sua página. Existem aqueles que só vão assistir ao vídeo; aqueles que preferem ler o texto descritivo; e aqueles que só vão ver as figurinhas e procurar a contribuição mínima; O ideal, claro, é atender a todo mundo!
tiposleitura

2. Empregue seu conceito

De que adianta bolar todo o conceito do projeto se não for usar? Se seu projeto for cômico, seja cômico. Se seu projeto for sério, seja sério. Lembre-se: palavras e imagens são ferramentas – utilize-as para construir algo que invoque seu público desejado.
idvisual

3. Humanos curtem de humanos

Não que robôs e orcs não sejam legais, mas é sempre bom saber que por trás de uma grande campanha existe um grande ser humano. Um ser humano de verdade como eu, como você, como a mãe dele, como a Vânia, que é sua mulher, como o Damião, como a Andréia, enfim.. Mostre sua carinha no vídeo e tente transparecer o máximo que conseguir sua sinceridade a respeito do projeto.
serra

4. A moral da história é…

Falar SOBRE o que é a sua história não significa CONTAR a história. Prepare uma bela sinopse que seja curta e objetiva. Isso vai lhe ser muito útil no futuro próximo quando for enviar um press release para blogs, revistas e jornais divulgando a campanha ou anunciando o lançamento. Também é um ótimo exercício de roteiro. Se você não souber resumir sua história em apenas uma frase, talvez ela ainda esteja confusa em sua cabeça.
historias

5. Chloe, schematics!

Algumas pessoas são objetivas. Elas precisam de dados específicos, números, coisas práticas com o que elas possam trabalhar em suas cabeças exatas. Dê a elas o que querem! Qual o formato do seu livro? Dê Medidas! Quantidade de páginas! Qual a tiragem? Que tipo de papel? Diga coisas complicadas como “papel pólen bold 90g” e “capa com aplicação de verniz bopp touch fosco”, diga que terá o selo FSC de reflorestamento, ficha catalográfica e ISBN. Esteja no controle da situação! (mas não vá mentir ou inventar coisas, né.. esses exemplos que eu dei podem ser reais… se você for atrás deles)
muitasfolha

6. Uma imagem vale mais do que 140 caracteres

Uma das coisas mais legais da mídia Quadrinhos é que ela não é literatura nem artes plásticas, tampouco é a soma das duas coisas. Quadrinhos são quadrinhos. Um dia escreverei um texto sobre isso, mas a ideia básica é que uma não é muleta pra outra. Elas devem trabalhar em conjunto com um objetivo comum de transmitir uma informação. Se você faz isso na sua obra, por que não fazer na apresentação dela também?
imgtxt

7. Utilize a repetição para ser enfático.

Utilizar a repetição pode ser muito eficaz para enfatizar um conteúdo.
repete

8. Se todo mundo for especial…

…Então talvez ninguém seja. Se tudo for destaque… então nada será. Saiba identificar as informações mais importantes e colocá-las numa hierarquia de forças e destaques. Um subtítulo não pode chamar mais atenção do que um título. Um conteúdo relevante não pode se perder num mar de blábláblás.
destaques

9. Crie uma escala evolutiva.

Crie uma linha de raciocínio para suas recompensas. Não é legal ir e vir em valores e pacotes e com diversas opções. Dali a pouco a pessoa já não sabe mais se tal recompensa vai ou não vai em tal pacote e pode deixar de contribuir com uma quantia melhor, porque o item de interesse dela estava perdido no meio da zoeira.
recompensas
E por fim…

10. Exercite o seu poder de síntese!

Vish… o post ficou gigante de novo.

Descomplicando a Matemática do Crowdfunding

Quando entrei na faculdade em 2005, o curso de Design Gráfico da UFPR ainda se chamava “Desenho Industrial com Habilitação em Programação Visual”, tinha 5 anos de duração e em sua grade continham as matérias de Física, Geometria e Cálculo – também conhecido como “o pacotão de exatas da federal”. Feliz fiquei quando essas matérias foram limadas (principalmente por ter pegado dependência em duas delas) e achava que nunca mais precisaria trabalhar com números. Mas eu estava π.r² enganado.

hurley

4 8 15 16 23 42

 

Semana passada colocamos no ar o Catarse do projeto “A Samurai” que tem como principal meta R$24mil, sendo que: 4% disso será usado para produzir as recompensas que eu ainda não sei quantas são; 9% vai pagar o frete para um grupo de pessoas que eu também não sei quantas são e nem de onde são; e 13% de um montante que eu não sei quanto é vai para o Catarse.

Não sei, mas sei. Como sei? Vou dizer agora!

A variável x é…

Apesar de estarmos trabalhando com números aqui, é importante frisar que vão rolar muitas questões subjetivas, variáveis de mercado, percentuais incontroláveis e toda uma sorte de especulações.

Existe um motivo pelo qual este é o terceiro e não o primeiro texto de nossa série. O ponto de partida para os cálculos aqui é: “DEPENDE”. Depende do seu projeto. Depende do que você quer fazer. É um quadrinho preto e branco ou colorido? Quantas páginas ele vai ter? Quantas pessoas vão trabalhar nele? Com qual a gramatura de papel você pretende imprimir? Qual a tiragem? O que diabos você vai fazer? Bom… se você seguiu a linha de raciocínio dos dois primeiros textos (ESSE e ESSE), você deve ter a resposta pra maioria dessas perguntas. E aí sim podemos começar com… um orçamento de gráfica.

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A raiz quadrada da questão

Na maioria dos projetos independentes coloca-se de lado os custos de distribuição e divulgação não só por seus produtores se enquadrarem no estilo “eu-mesmo-faço-isso”, mas também pelos preços (que eu considero) abusivos. Portanto, a impressão toma facilmente a posição de item mais caro de toda a produção e é por isso que é a partir dela que a maioria das pessoas começa seus cálculos.

Talvez você gaste 3, 5, 10, 20, 30mil reais… Ou mais. Não tem nem como esboçar uma média. Nem mesmo entre as produções independentes. Cada projeto pede um orçamento específico. TUDO influencia no valor final. Verniz na capa, número de cores, formato, papel, gramatura, TUDO.

promoverniz

Mas vamos supor que o orçamento tenha dado 8mil reais. Você vai pedir 8mil reais na campanha? Não, né. Existem outros custos e antes mesmo de chegar neles precisamos resolver uma questão muito complicada e de teor altamente subjetivo aqui: Quanto custa o seu trabalho?

A equação jamais resolvida: quanto custa o seu trabalho?

VISH! Isso certamente pede um texto exclusivo. E nem ferrando vou começar essa discussão aqui. Apenas vou deixar o questionamento: você pretende pagar o “ilustrador” do seu projeto? A resposta é mais fácil quando essa pessoa está, de certa forma, desvinculada do autor. Mas e quando é tudo a mesma pessoa? Aí vai da escolha do freguês. Vai cobrar por hora? Vai cobrar por página? Vai cobrar por projeto? Não vai cobrar nada e ficar apenas com o lucro das vendas do resto da tiragem? Não sei. Ninguém sabe. Vai de cada um. Como eu falei, é subjetivo. É pra pensar.

A Recompensa compensa?

RECOMPENSAS! YAAAAY! O lugar onde muita gente quebra a cara! É, pode não parecer, mas bolar as recompensas de uma campanha é uma arte e deve ser pensada com muito cuidado e muito carinho. Mas relaxa que eu vou ensinar como definir suas recompensas em 3 passos, vamos lá!

PASSO 1

Brainstorm. Lembra dos conceitos do seu projeto? Hora de utilizá-los mais uma vez! Pense no que o seu trabalho transmite, qual o seu público alvo e tudo o que pode estar relacionado ao tema do seu quadrinho. Pense em como transformar essas ideias em produtos e liste todas elas.

Por exemplo, se seu quadrinho tem a temática de cachorrinhos, é provável que você vá atrair muitos colaboradores donos de cães. Então você pode pensar em “recompensas caninas”, como brinquedinhos para cachorros ou objetos decorativos com motivos caninos. Seu projeto tem um ar mais artesanal? Que tal pensar em produtos “handmade”?

dica Como estamos falando de quadrinhos aqui, vale lembrar que o bem mais precioso de um artista é sua arte. Recompensas como autógrafos, prints, ilustrações exclusivas e sketches fazem muito sucesso.

alerta Tome cuidado com recompensas “para fãs”, porque… talvez eles ainda não existam! Você, autor, sabe que sua história é animal, a arte é de primeira e essa é sua obra prima! Mas todo o resto da população mundial NÃO SABE! Pense em você mesmo como consumidor. Pense naquelas bugigangas de Star Wars, por exemplo, que você investiria uma nota pesada para ter. Por que você quer ter? Porque você é fã da franquia. E por que você é fã da franquia? Por que você adorou os filmes. E isso só aconteceu depois de…? Depois de assisti-los! Certo? Como você quer que as pessoas invistam em recompensas caríssimas relacionadas ao seu quadrinho se elas ainda nem leram ele? Pense nisso.

PASSO 2

Quantas e quais opções de valores. Esboce num papel faixas crescentes de valores para cada pacote de contribuição começando com 10 reais e terminando onde achar melhor.

dica Busque o equilíbrio. Poucas opções eliminam apoios em potencial; Muitas opções confundem os apoiadores e te dão uma mega dor de cabeça na hora de administrar as entregas depois.

dica Não faça diferenças muito grandes entre um pacote e outro. Uma pessoa que daria mais de 50 reais talvez não queira dar 300. Um crescimento gradativo também pode fazer com que um apoiador repense o valor investido. Tipo “uau, se eu der só mais um pouquinho vou ganhar isso também!”.

PASSO 3

Busque no seu brainstorm as opções mais viáveis e que melhor combinam com os valores da sua lista. Agora é só preencher um com o outro.

dica Para o apoio mínimo coloque apenas recompensas de custo ZERO. Geralmente se coloca o nome da pessoa numa página de agradecimentos. Vale também oferecer o PDF. Particularmente não curto muito a ideia, pois a grande maioria das pessoas que vão contribuir estarão atrás do livro impresso. Mas, ora, a ideia é bastante válida.

dica Pense seriamente em colocar a sua HQ impressa como recompensa já no primeiro pacote após o apoio mínimo (ou como apoio mínimo). Pense que a maioria esmagadora vai entrar com o único e exclusivo objetivo de ter seu exemplar. Alguns nem vão olhar as outras opções. Seja gentil com essa galera e coloque ali logo de cara seu livrinho sem nenhuma tranqueira. Eles vão gostar.

dica Lembre-se que a cada item adicionado num pacote há também um custo adicionado (de produção e de frete). Trabalhe com pensamento de venda, ou seja, faça as recompensas terem valor de compra e não de custo de produção.

dicaouro Dê preferência para impressos: livros, cadernos, cartões, prints e demais produtos dessa categoria para poder utilizar o serviço de envio módico dos Correios. Para todos os outros tipos de recompensas leve em consideração um custo adicional de, no mínimo, 20 reais de PAC para cada envio.

Ufa! Orçamento da gráfica em mãos, custo de produção e recompensas definidas… Agora precisamos calcular o frete. Mas… como fazer isso se não sabemos quantas pessoas vão apoiar o projeto?

Welcome to the game

E neste jogo você… CHUTA!Estamos entrando na perigosa área da especulação! Eu gosto de fazer o seguinte exercício:

Pegue esses valores que você tem ali em cima, some mais uns milhares e vê quanto dá. Agora volte nas suas recompensas e veja o valor do pacote básico do quadrinho impresso. Vamos dizer que sua meta tá rondando a casa dos 10mil reais e que o pacote mínimo com a HQ é de 20 reais. Isso significa que você precisaria juntar 500 pessoas.

Talvez este seja um número alto, então comece a redistribuir essas pessoas em outros valores maiores, como 50, 75 e 100 reais. Leve em consideração que uns 80% dos apoiadores ainda ficarão nos “20 reais” e que dificilmente você conseguirá mais de 100 pessoas em valores acima de 100 reais.

apoiadores

Se você seguir a dica das recompensas impressas e empurrar os produtos que exigem PAC para pacotes mais caros, você consegue marcar o gol. Vamos lá, chute o envio módico a 5 reais para 400 pessoas e o PAC a 20 reais para 100. Pronto! Pode reservar 4mil reais para os fretes.

É um chute bizarro? É um chute bizarro. Faz sentido? Quase não. Dá certo? Vai por mim que dá.

Ah! E pode botar mais uns trocados para cobrir: plástico bolha, papel pardo, etiquetas, fitas adesivas e custos com os malditos reenvios que, acredite, vão encher o seu saco. Mas faz parte da brincadeira.

coisinhos

Supletivo… supletivo…

Calma! Tá acabando. É hora de calcular a bonificação da plataforma e a leve mordida da operadora de transações. Isso dá por volta de 13%. Isso significa que o seu orçamento precisa estar dentro dos 87% da meta de arrecadação.

Para calcular é fácil, basta dividir o seu sonho financeiro por 0,87. Por exemplo, se você precisa juntar 8mil reais, dividindo por 0,87 você tem o valor total de 9.195, 40. Dá uma arredondada, pede 9.200 e tudo vai dar certo. Você fica com seus 8mil e o Catarse com 1200.

continha

Agora é só por no gráfico

Agoooora sim você tem o seu valor total. E é ele que você vai por como meta, né? Né? Não?

Eu vou dar uma última dica neste post, mas que fique claro que eu não me responsabilizo por quem decidir segui-la. Vamos voltar à perigosa área da especulação!

dicafinal

Peça menos.

Junte mais.

Existe um fenômeno no Catarse (não é regra, mas é comum) em que o número de apoios a um projeto aumenta consideravelmente próximo ou após ultrapassar os 100% da meta principal. Eu vou explicar melhor isso num outro post, mas essa informação é o que importa aqui. Quanto mais rápido você chegar no 100%, maior sua chance de chegar ao 150%, 200%. Números altos assustam. Às vezes vale a pena você jogar um valor abaixo do necessário visando completá-lo nas metas estendidas. A matemática das metas estendidas é parecida com a das recompensas.

É claro que toda especulação tem seus riscos. Vai que você não chega aos ideais 150%? Mesmo assim eu acredito que vale a jogada. Apenas tome cuidado para não arriscar demais em nome do medo de não fechar a campanha. Lembre-se que porcentagem alta também afasta. Se você precisa de 20, não peça 10, pois emplacar um 200% também é complicado.

calculando

Então é isso, pessoal. Espero que esse texto gigantesco tenha esclarecido e ajudado quem precisa. Pretendo um dia escrever um texto sobre a complicada matemática do mundo editorial dos quadrinhos e dar dicas de como calcular o valor do seu trabalho. Semana que vem volto com dicas de como apresentar o seu projeto.

O primeiro passo é pensar… profundamente!

Não sou um especialista de quadrinhos. Tampouco sou especialista de Catarse. Mas gosto de acompanhar e analisar campanhas de quadrinhos no Catarse e a partir dessas observações criei teorias e pensamentos. Hoje trago o segundo texto de uma série, que você pode acompanhar clicando AQUI, onde desenvolvo essas ideias.

Antes de mais nada, gostaria de lembrar a todos que nossa campanha da Samurai já está online e você pode visitá-la clicando AQUI! Temos diversas recompensas maneiras que vão desde o quadrinho impresso até artes originais, caricaturas e cadernos costurados a mão para todo mundo que quiser apoiar o projeto. =)

minibanner

Bom, vamos lá…

O que faz uma campanha/produto obter sucesso?

A pessoa que conseguir responder esta pergunta tem o mundo aos seus pés. É impossível garantir que um projeto vai ou não vingar. Agora, analisar um produto que já está no mercado e justificar porque ele fez ou não sucesso é um pouco mais fácil. Pode ser por causa do tema, do acabamento, da propaganda, da abordagem, do momento, enfim.. pode ser qualquer coisa. Ou talvez sejam vários fatores juntos e ainda uma boa pitada de sorte.

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É impossível prever o futuro, mas é interessante analisar casos anteriores antes de aplicar alguma estratégia na sua campanha. E mais legal do que ver o que está dando certo é identificar o que NÃO está dando certo. Afinal, replicar uma ação que já deu certo com outra pessoa não garante que vai funcionar com você; mas evitar cometer um erro que você viu alguém cometer pode ser bastante útil.

Fatores externos e internos

Um erro muito comum (pelo menos eu considero um erro) é sempre botar a “culpa” em fatores externos, do tipo:

“Não deu certo, porque choveu.”

“Não rolou, porque tinha muita gente”

“Fez sucesso, porque falaram dele”

“Conseguiu, porque caiu bem no dia”

Ora, fatores externos existem… mas, como o nome diz, você não tem controle sobre eles. Então danem-se! Trate de cuidar do que é interno primeiro! Quem tem a base bem forte, bonita, gorda e saudável tem mais chances de sucesso… ou pelo menos, menos chance de tropeçar no caminho.

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As camadas de um planejamento

Partindo desse pensamento eu consigo identificar as maiores dificuldades e problemas que uma campanha sofrida ou não sucedida enfrenta e, colocando em uma ordem de mais “externo” para mais “interno”, fica mais ou menos assim:

camadas

Falta de divulgação: Acho que já disse isso várias vezes em vários lugares e vou continuar falando: “fazer um Catarse” não é só jogar o projeto lá. Ele não vai se financiar sozinho. Tem que divulgar!

Divulgação fraca/errada: Às vezes a propaganda que você está fazendo não é suficiente; às vezes os lugares e as pessoas que você está atingindo não são os ideais; às vezes sua abordagem não está sendo a melhor;

Metas e valores falhos: Um cálculo incorreto, um chute mal dado, uma opção desinteressante, um número assustador; um valor acima do mercado; tudo isso pode influenciar um apoio… que irá influenciar outro… e outro… e outro… Um dos cálculos mais interessantes de se fazer é: “quantos apoios mínimos (mínimo para garantir seu principal produto) são necessários para viabilizar seu projeto?”. Mais interessante ainda é, logo em seguida, perguntar a si mesmo: “eu consigo juntar todas essas pessoas em 1~2 meses?”.

Recompensas que não compensam:  É claro que nenhuma campanha se faz com apenas uma opção de recompensa, então é fundamental encontrar o melhor equilíbrio entre qualidade X valor. Mais pra frente farei um texto sobre isso.

Baixa credibilidade: Já reparou que alguns projetos transmitem mais credibilidade que outros? Na maioria das vezes não se trata (só) de fama, habilidade ou carteirada e QI (quem indica), mas sim de uma apresentação honesta e bem feita.

Conceito mal trabalhado: Opa! Chegamos na raiz da questão. E esta é uma área obscura que poucas pessoas se atrevem a tocar publicamente, mas… se me permitem, falarei dela aqui…

O seu trabalho é ruim?

Sou contra apontar defeitos. Sou a favor de incentivar melhorias. Ninguém nasce sabendo e muito menos expert em alguma coisa. Em 2006 tive meu primeiro job como ilustrador e, garanto pra vocês, ficou uma porcaria. Não, desculpa, na verdade, ficou uma merda. De lá pra cá tenho estudado, praticado e evoluído e sei que ainda tenho muito o que crescer antes de me dar por satisfeito. Se é que algum dia isso vai acontecer.

historico

Então é claro que é extremamente importante que exista essa auto avaliação do seu trabalho. “Será que está bom?” “Será que estou pronto?”. Mas ninguém vai lhe apontar e dizer “cara, não faz sucesso, porque é ruim.” Por dois motivos:

  1. Porque não é com desmotivação que se motiva alguém;

  2. Porque a ARTE é SUBJETIVA;

Quem é que pode definir o que é bom ou ruim? Bonito ou feio? Legal ou chato? Só você para você mesmo, mas não para os outros.

Você provavelmente já ouviu alguém dizer “a ideia é boa, mas a execução é falha”. Por que a execução é falha? Se parar pra analisar a resposta vai muito além do “não sabe desenhar”. Está muito mais pro “não soube transmitir”. Posso citar uma porção de artistas que “não sabem desenhar”, mas tem uma legião de fãs. Tem, porque ele sabe como ninguém se comunicar com essas pessoas. Sabe como ninguém desenvolver e apresentar o conceito do produto.

O caminho de volta

Agora que já fomos até o centro da Terra podemos voltar. O primeiro passo para se construir qualquer coisa na vida é responder: “o que você quer construir?” e “por que você quer construir?”.

Responder essas perguntas não é tão fácil quanto parece. Já dizia o Telekid, “porque sim não é resposta”! Toda obra tem um objetivo. Ele pode ser transmitir uma informação, uma ideia, um sentimento, uma emoção; estimular, questionar, provocar, registrar, compartilhar, experimentar… Basta você se descobrir dentro de seu próprio projeto. Afinal, o que você está fazendo?

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Resolvendo essa dúvida existencial você consegue todas as outras respostas que precisa. Como vai ser a identidade do projeto? Ora, uma que transmita seu objetivo! Qual será o produto? O seu produto é a sua ideia! E o seu público? É quem se identifica com sua ideia. Como encontrá-lo? Você sabe! Ninguém sabe melhor do que você! VOCÊ criou isso.

Meu desenho não ficou bonito magicamente

Habilidade se desenvolve com prática. A grande questão não é saber desenhar ou não. A grande questão é saber transmitir a mensagem. Criatividade não possui pré-requisitos.

E é com essa linda mensagem que eu me despeço, porque semana que vem o texto vai ser mais tenso que este. Falarei sobre números, porcentagens e dinheiro. =)

minibanner

Pela união de seus poderes, eu sou o Financiamento Coletivo!

Sabe quando surge voando entre os prédios o Capitão Óbvio lançando toda a sua obviedade sobre a população e aí, do nada, ele tira a máscara e revela ser, na verdade, o Homem Subjetivo? Pois então… um financiamento coletivo é quando você financia um projeto através do apoio de um coletivo de pessoas… (Oh! Calma… Wait for it…) …portanto não se trata de juntar dinheiro, e sim, juntar pessoas. (Ahá!) E o dinheiro é consequência.

“FINANCIAMENTO COLETIVO é quando você FINANCIA um projeto através do apoio de um COLETIVO de pessoas… portanto não se trata de juntar dinheiro, e sim, JUNTAR PESSOAS.”

Capitão Óbvio Homem Subjetivo –

É pré-venda ou ação solidária?

Já ouvi muita gente chamando o financiamento coletivo de “vaquinha” e até eu já usei o termo “pré-venda”. Há, inclusive, aqueles que acreditam que isso é uma forma de pedir esmola. O formato é relativamente muito novo (o Catarse, por exemplo, existe desde 2011) e por isso ainda está tomando forma e protagoniza muitas discussões sobre “como”, “por quê” e “por quem” pode/deve ser usado.

Utilizei a plataforma pela primeira vez em 2012 para publicar meu primeiro quadrinho impresso, o “Last RPG Fantasy”, voltei no ano seguinte para financiar “MAKI” e mais uma vez em 2014 para poder lançar “Batsuman – Ano Um (e dois também)” e “PAF PAF”. Durante este período acompanhei de perto as mudanças dos produtores e dos apoiadores, bem como li, assisti e participei de muitos debates e minha conclusão é que existem basicamente duas visões antagônicas sobre financiamento coletivo e outras pela meiúca entre as duas posições. Tipo como quando você separa os heróis da DC entre “é tipo Superman” e “é tipo o Batman”.

Arqueiro Verde é tipo o Batman, só que loiro... Mulher Maravilha é tipo o Superman... só que mulher.

Arqueiro Verde é tipo o Batman, só que loiro… Mulher Maravilha é tipo o Superman… só que mulher.

De um lado, temos pessoas que enxergam como uma pré-venda. Trata-se de apresentar um produto, vendê-lo antecipadamente e então entregar o equivalente ao que foi pago. Existem produtores e apoiadores que defendem essa posição. Pessoas que, por exemplo, calculam o valor de cada recompensa para avaliar se o investimento compensa.

Do outro, temos pessoas que enxergam como uma ação solidária. O proponente apresenta um projeto que só é possível com a ajuda das pessoas que, de fato, ajudam com o único e exclusivo objetivo de ver a ideia se concretizar. E a recompensa nada mais é do que um brinde.

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Qual das duas visões é a correta?

Nenhuma. Ou melhor, as duas. Em conjunto. Quando você faz uma campanha você se depara com os dois tipos de apoiadores. Tanto o que tá “consumindo o produto”, quanto aquele que “só quer ajudar mesmo”. E isso acontece, porque é, de fato, as duas coisas ao mesmo tempo! Você está apresentando uma ideia e reunindo pessoas que tenham interesse em vê-la se concretizar e, bolas, está trocando dinheiro por produto: é um comércio!

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Mas o que pouco se enxerga no meio de toda essa nuvem de obviedade é que estamos falando em reunir seres humanos por uma causa em comum. União. Grupo. Coletivo. Muitas vezes o que falta num projeto é pensar menos em si mesmo; menos no indivíduo; e pensar mais coletivamente. O que o seu projeto quer transmitir? Por que as pessoas deveriam se importar? Por que elas deveriam se interessar? Qual o grupo de pessoas que você quer atingir? O que você quer construir com elas?

Isso não significa, porém, que só “ações sociais” mereçam o devido valor num crowdfunding, apesar de elas se encaixarem muito bem. Seu projeto pode querer transmitir emoções e sentimentos. Pode querer botar em pauta questões sociais e informações históricas dentro de personagens fantásticas em universos imaginativos. Pode ter um valor a ser agregado à comunidade de quadrinistas/artistas. Isso tudo, por exemplo, é o que nosso novo projeto, “A SAMURAI”, transmite. E através da campanha, buscamos pessoas que se interessam por esses assuntos. Que se sintam atraídos pela trama da jovem Michiko e queiram ver o quadrinho ganhar vida.

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Por mais que se enxergue como um simples comércio, é com a campanha que se vai atrás do seu público alvo. É preciso identificar e conquistar o seu nicho. Mas isso é papo pra próxima semana, quando vou falar sobre como trazer todos esses conceitos para o “mundo real” e transformá-los em metas, recompensas e divulgação.

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E o poder é de vocês!